Deuses e campeões a noite os lia
776 versos · 7 notas do tradutor
- Deuses e campeões a noite os lia;
- Só vela o Padre, a ruminar de que arte
- Levante Aquiles e escarmente os Gregos.
- A Agamemnon soltar por fim resolve
- Um maléfico Sonho, e o chama e apressa:
- “Voa, Sonho falaz, do Atrida às popas;
- Quanto prescrevo, exato lho anuncia:
- Que arme os crinitos Graios e as falanges,
- De extensas ruas a cidade expugne;
- Que, intercedendo Juno, o Céu concorde
- Ameaça de ruína a excelsa Tróia.”
- De cor este recado, o Sonho parte
- Às naus ligeiras, e acha o Atrida preso
- Do sono, que lhe cerca e embebe a tenda.
- À cabeceira, os traços do Nelides
- Nestor vestindo, a quem o Argeu potente
- Mais do que a todos venerava, o argúi:
- “Dormes, de Atreu guerreiro ó nobre filho?
- E dorme em cheio o próprio em quem descansa,
- A quem do exército o cuidado incumbe?
- Escuta; mensageiro eu sou de Jove,
- Que de longe em ti pensa e te lastima:
- Arma os crinitos Graios e as falanges,
- De extensas ruas a cidade expugna;
- Por Juno o Céu concorde, a mão suprema
- De iminente ruína ameaça Tróia.
- Estas expressas ordens não te esqueçam,
- Do melífico sono ao despertares.”
- Eis some-se, e o rei fica em devaneios
- De ir assolar de Príamo a cidade;
- Ignora o que o Satúrnio lhe maquina,
- Suspiros e aflições que em duros transes
- A Troianos e Aquivos se aparelham.
- Acorda, e em torno inda a visão lhe soa:
- Sentado, a nova túnica luzente
- Mórbida enfia, embrulha-se no manto,
- Liga as sandálias que nos pés lhe fulgem,
- Do ombro suspende a claviargêntea espada,
- Cetro paterno empunha incorruptível;
- Passa da tenda aos bronzeados bucos.
- Do Sol embaixatriz à corte Olímpia,
- A Aurora abria; com pregões o Atrida
- Os comados Grajúgenas convoca,
- E à voz canora dos arautos correm.
- Primeiro, ante o baixel do rei de Pilos,
- Os príncipes longânimos consulta:
- “Sócios, visão divina eu tive à noite;
- Era Nestor em talhe, em gesto e porte.
- À minha cabeceira, assim me increpa:
- — Dormes, de Atreu guerreiro ó nobre filho?
- E dorme em cheio o próprio em quem descansa,
- A quem do exército o cuidado incumbe?
- Escuta; mensageiro eu sou de Jove,
- Que de longe em ti pensa e te lastima:
- Arma os crinitos Graios e as falanges,
- De extensas ruas a cidade expugna;
- Por Juno o Céu concorde, a mão suprema
- Em Tróia pesa. O mando não deslembres. —
- E evolou-se a visão, deixou-me o sono.
- De armar a gente o meio imaginemos.
- Quero apalpá-la, intimarei que fujam
- Nossas naus; de propósito espalhadas,
- Persuadi vós outros o contrário.”
- Ei-lo assentou-se, e da arenosa Pilos
- O cordato reinante em pé discorre:
- ” Da Grécia esteios, príncipes e amigos.
- Se outrem, que não do exército o cabeça,
- Tal sonho referisse, de mentira
- O tacháramos todos impugnando:
- Grave é seu testemunho e irresistível.
- Arme-se a gente; examinemos como.”
- Larga o velho o conselho, e o mesmo fazem,
- Obsequiando ao maioral dos povos,
- Cetrados reis. A multidão fervia:
- Quais de oca pedra, em sucessivos bandos,
- Brotam nações de abelhas, pressurosas
- No multíplice adejo, e em cachos pousam
- Do verão sobre as flores; tais, brotando
- De naus e tendas, sobre a vasta praia
- Grupos e grupos à assembléia afluem.
- Pica-os a Fama, que enviara Jove;
- Cresce a balbúrdia, arengam, tumultuam.
- Do tropel freme a terra, o estrondo ecoa.
- De arautos nove a brados, o alarido
- Lá cede à voz dos reis, do Olimpo alunos.
- Cala a turba e se abanca; alçou-se o Atrida.
- O seu cetro esculpiu Vulcano a Jove,
- Que ao de Argos matador brindou com ele,
- E ao cavaleiro Pélope Mercúrio;
- Atreu régio pastor houve-o de herança:
- Depois coube a Tiestes pecoroso;
- A Agamemnon Tiestes o transmite,
- Com a Argólida inteira e bastas ilhas.
- Neste se apóia, e rápido se explica:
- “Ó fâmulos de Marte, amigos Dânaos,
- Enreda-me o Satúrnio em lance infesto:
- Selou que, Ílio extirpada, eu regressasse;
- Hoje enganoso, tanta vida extinta,
- À pátria exige que eu reverta inglório.
- Do prepotente é gosto, cujo braço
- Pujante há mil cidades derrocado,
- E mil derrocará. Mancha indelével!
- Ressoe no porvir que inumeráveis,
- Sem êxito nenhum, travamos guerra
- Com tão poucos varões; pois, lealmente
- Ferida a paz, e os Troas computados
- E em decúrias os Gregos, vinho um Troa
- Vertesse a cada Grego, faltariam
- Escanções a muitas decúrias:
- Tanto julgo aos de Tróia sobejamos.
- Porém grandes cidades a auxiliam,
- Bravas lanças brandindo, que, mau grado,
- Reparos seus desmoronar me tolhem.
- De Júpiter nove anos decorreram,
- Lenhos já podres, cabos já delidos;
- E em casa à espera esposas e filhinhos
- Talvez estão. Da empresa desistimos;
- Assim nos é forçoso: velas dadas,
- Volte-se ao ninho pátrio; não podemos
- Ílio soberba conquistar; fujamos.”
- Isto comove os corações estranhos
- Ao privado conselho, e se afervoram,
- Quais do Icário as maretas que Euro e Noto,
- Fendendo a Jove as nuvens, encapelam.
- Como ao volúvel Zéfiro a seara
- Cicia em ondas, a assembléia toda
- Se atira às naus com militar celeuma,
- E à marcha o pó se enrola e o céu remuge.
- Da volta ansiosos, em limpar caneiros
- E em deitá-las ao pélago porfiam.
- As quilhas, dos rolhões desimpedidas,
- Iam partir, contra a fatal vontade
- Se não se dirigisse a Palas Juno:
- “Quê! do Egíaco prole, em fuga os nossos
- Traçam por entre o equóreo dorso imano
- Rever a pátria, a Príamo o triunfo
- E aos dele abandonando Helena Argiva,
- Por quem tantos em Tróia hão perecido
- Longe da mesma pátria? Ah! com doçura
- Os Dânaos suadindo eriarnesados,
- Coíbe homem por homem, que não desçam
- Ao mar nenhum baixel que a remo vogue.”
- A olhigázea Minerva incontinente
- Lá do pino do Olimpo se despenha;
- Baixa à frota veloz, de Ulisses perto:
- Sisudo como Jove, em dor imerso,
- Na embarcação, de apelamento pronta,
- Pausado nem tocava; e a deusa o aborda:
- “Generoso Laércio, astuto Ulisses,
- Em bem providas naus fugis, a palma
- A Príamo deixando e em Tróia Helena,
- Por quem já pereceram tantos Gregos
- Longe da pátria? Sem tecer demoras,
- Revista o exército, e com brandas vozes
- Coíbe homem por homem, que não desçam
- Ao mar nenhum baixel que a remo vogue.”
- Ele a compreende, e arremessando a capa,
- Que, Ítaco e arauto seu, lhe apanha Euríbate,
- Ao quartel se encaminha de Agamemnon;
- Toma-lhe o cetro avito. As naus perlustra
- E Aqueus de ênea loriga; e, se encontrava
- Magnata ou rei, dulcíloquo o detinha:
- “Quê! Trepidas, varão? Teu posto guarda,
- Sossega as tropas. O ânimo do Atrida
- Sondaste acaso? Agora os Gregos tenta,
- E breve os punirá. Nem tudo ouvimos
- Do que expôs no conselho. Contra os nossos
- A cólera do rei quiçá dispare.
- Jove ao trono o moldou, Jove o protege.”
- Mas, se topa um plebeu vociferando,
- Lhe imprime o cetro e grita: “Ímprobo, cal-te;
- Atende aos superiores. Néscio e ignavo,
- No alvitre és nulo, és nulo nas pelejas.
- Pois tantos reinaremos? Dana e empece
- De muitos o primado: um rei domine,
- Que houve este cetro e o jus do deus supremo.”
- E assim refreia a chusma. A congregar-se
- De naus e tendas outra vez ruíam
- Estrepitosos, qual batendo as praias
- Muge horríssima vaga e o mar reboa.
- Quietos já, Tersites inda gane,
- Petulante motino que, de inépcias
- Pleno o bestunto, contra os reis verboso
- Alterca e à soldadesca excita o riso:
- Dos cercantes feiíssimo, era manco,
- Vesgo e giboso, e tinha o peito arcado
- E em pontuda cabeça umas falripas;
- Mordia sempre a Ulisses e o Pelides,
- Cego de inveja; estruge então com ladros
- O rei dos reis e a todos afeleia,
- E quanto mais se indignam mais braveja:
- “Atrida, que te falta? A rodo os bronzes,
- Tens contigo mulheres que, ao rendermos
- Qualquer cidade, escolhes o primeiro.
- Que inda cobiças? ouro que te oferte
- Éqüite Frígio em remissão do filho,
- Quer o eu traga em prisões, quer outro Grego?
- Ou moça que se mescle em teus amores
- E apartada retenhas? É miséria
- Ser escândalo aos súditos. Voguemos,
- Gregas, não Gregos, raça mole e inerte:
- Cá permaneça e o que tragou digira;
- Aprenda se de ajuda ou não lhe somos
- Quem, de baldões coberto o mais valente,
- A escrava arrebatou-lhe. Ah! se o Pelides
- Não remitisse a cólera e afrouxasse,
- O teu descoco, Atrida, último fora.”
- Assim contra Agamemnon blasfemava.
- Carregado no vulto, o assalta Ulisses:
- “Pare a cantiga, charlator Tersites,
- Abarbar-te com reis tu só não queiras:
- Escória dos sectários dos Atridas,
- Na língua os teus balofa e audaz censuras?
- Vil pela fuga opinas: duvidamos
- Se é bem, se é mal, que efeito isso produza;
- Mas porque vituperas Agamemnon,
- O maior potentado, nos é claro:
- De heróis te pesa dádivas receba.
- Guar-te que eu te inda veja em tais loucuras:
- Fora mesmo a cabeça tenha Ulisses,
- Nem pai do meu Telêmaco me chamem,
- Se não te agarro e dispo-te os vestidos,
- Capa, túnica e o mais que o pudor vela,
- Se, da assembléia expulso e azurragado,
- Choramingando às naus te não remeto.”
- Na espádua eis o fustiga: ele se encolhe
- E lagrimeja à dor; sangrento as costas
- Lhe incha o vergão do cetro; indo sentar-se,
- Pávido e oblíquo olhando, enxuga as faces;
- Do afogo em meio espraia-se a risada.
- Um virou-se ao vizinho: “À fé, que o douto
- Conselheiro sagaz, na guerra instruto,
- Nunca entre Aqueus obrou com tanto acerto,
- Como açaimando agora esse palreiro,
- Que os reis há-de poupar de escarmentado.”
- Sussurra o vulgo, e em pé de cetro acena
- O de cidades vastador Ulisses;
- De arauto em forma a deusa olhicerúlea
- Impõe silêncio nas fileiras todas,
- Para que simultâneo o sábio aviso
- Do eloqüente orador nos Dânaos cale:
- “Querem-te, ó rei dos reis, que o labéu sejas
- Dos falantes mortais, os que a ti mesmo
- Juraram não rever da Grécia os campos,
- Sem que de Ílio as muralhas destruíssem:
- Qual ou pobre viúva ou criancinha,
- Da casa estão chorando com saudades.
- Após fadigas tais, regresso triste!
- Longe um mês da mulher definha o esposo
- Em nau remeira, de invernais marulhos
- Retardada: nove anos devolvidos,
- Como estranhar ao povo a impaciência?
- Porém se é torpe, amigos, a demora,
- Não o é menos tornarmos de vazio.
- Constância um pouco mais, e averigüemos
- As predições de Calcas: bem nos lembram;
- Testemunhai-me, todos vós da Parca
- Redimidos fatal. Inda ontem, Gregos,
- Não foi que em Áulis congregou-se a frota
- Contra Príamo e Tróia? Ante uma fonte,
- No imolarmos completas hecatombes,
- De um plátano frondoso, donde mana
- Límpida veia, surge grã prodígio:
- Drago horrendo, malhado em sangue o lombo,
- (À luz o Olímpio sumo o expediu mesmo)
- Do supedâneo da ara deslizando,
- Ao plátano rojou. Nele acoutadas
- Sob a rama oito implumes avezinhas,
- Novena a mãe fagueira as aninhava.
- Pipitando era dó se debaterem,
- Quando ele as engolia, e a mãe carpindo
- Em torno revoar; última o drago
- Da asa lhe trava e súbito a devora.
- Mas, durante o holocausto, em pedra o muda
- Quem o mandara; e a nós, emudecidos
- E extáticos do horrífico portento,
- Calcas vaticinou: — Comantes Graios,
- Estupefatos sois? Previsto Jove
- Daqui nos prognostica um tardo evento,
- Se bem de glória eterna. As oito implumes,
- E nona a mãe, tragou-as a serpente:
- Forçoso é pelejar por tantos anos,
- Mas ao dezeno cairá Dardânia. —
- A profecia é tal, cumprir-se deve.
- Eia, grevados sócios, persistamos,
- Té sucumbir a soberana Tróia.”
- Um geral grito, horrendo retumbando
- Pelas côncavas naus divino o aclama.
- Presto o Gerênio: “Discursais, oh! pejo,
- Fracos meninos da milícia alheios.
- Onde a jurada fé? Tem gasto o fogo
- Viris projetos e consultas, pactos
- Que as libações e as destras consagraram?
- Disputas vãs! o tempo aqui perdemos.
- Cessem palavras: como sempre, Atrida,
- Rege firme os combates. Apodreçam
- Em ócio os raros díscolos; mas nunca
- Tornar conseguirão, sem deslindarmos
- Se nos falseia o egífero Satúrnio:
- Ele anuiu, no dia em que embarcamos
- De Ílio trazendo o fado em naus veleiras,
- E à destra fulgurou, propício agouro.
- Com a esposa de um Teucro antes que durma,
- Rapto e mágoas de Helena assim vingando,
- Nenhum se apresse; e quem, da fuga amigo,
- De crenado baixel tocar nos bancos,
- O mortal trago provará primeiro.
- Agamemnon, reflete e os bons escuta,
- Nem este meu alvitre, ó rei, desdenhes:
- Divisa em tribos toda a gente e em cúrias,
- Socorra cúria a cúria e tribo a tribo.
- Coadjuvem-te os Dânaos; que, seu braço
- Na ação mostrando cada qual, o esforço
- Distinguirás do chefe ou do soldado;
- Se obstam os deuses a que expugnes Tróia,
- Ou dos teus a imperícia e cobardia.”
- Respondeu-lhe Agamemnon: “Consumado
- Na eloqüência, ó Nestor, superas todos.
- Júpiter, Palas, Febo, quem me dera
- Dez conselheiros tais! Breve arrasadas
- As muralhas de Príamo seriam.
- De pesares transbordo! Em lide amarga
- Pelo Satúrnio imersos eu e Aquiles,
- Acres sobre a donzela contendemos;
- Primeiro eu me irritei. Se inda o congraço,
- Num só momento acabará Dardânia.
- Ide comer, que pelejar nos cumpre:
- Afilem-se hastas, lustrem-se rodelas;
- Bem fartos os sonípedes, os coches
- Bem revistados, cuide-se na guerra;
- É sacro o dia todo a Marte sevo.
- Depois, nem trégua nem repouso, enquanto
- A noite resfriar o ardor não venha:
- Quente o suor do escudo a soga banhe,
- Pulsos fatigue o menear da lança,
- Ao carro terso o corredor espume.
- Porém se algum, para fugir à pugna,
- Eu souber se desleixa em nau rostrada,
- Aos abutres e cães fugir não conte.”
- Alteia-se um clamor, qual de onda equórea
- Que arroja Noto sobre aguda penha,
- Sempre de opostos ventos combatida:
- Já se levantam; pelas tendas lume
- Acendem logo, a refeição preparam;
- Cada Argivo a seu nume ofrenda, roga
- Livre-o da morte e bélicos perigos.
- Ao pai sumo Agamemnon sacrifica
- Pingue touro qüinqüene; os mais conspícuos,
- Nestor em frente e Idomeneu, convida;
- Um e outro Ajax, Diomedes; sexto Ulisses,
- No siso igual a Jove: per si mesmo
- Vem Menelau guerreador, ciente
- Dos generosos fraternais cuidados.
- Com seus bolos nas mãos, a rês circundam,
- E ora o chefe de heróis: “Senhor etéreo
- Das cerrações, glorioso onipotente,
- Antes que o sol transmonte e assome a treva,
- Dá-me o esplêndido paço, em brasa as portas,
- A Príamo assolar; de Heitor ao seio
- Romper a brônzea túnica, e de rastos
- Os seus em torno dele a terra mordam.”
- Sem que anua, lhe aceita a oferta Jove,
- E aumenta o afã. Perfeita a rogativa,
- Esparso o farro, à vítima o pescoço
- Vergam atrás, e degolada a esfolam;
- Cérceas as coxas, no redenho envoltas,
- Vivas postas em cima, esgalhos secos
- As vão tostando. As vísceras ao fogo
- No espeto enroscam; mas, provadas estas,
- Já combustas as coxas, em tassalhos
- A mais carne enfiada assam peritos.
- Finda a obra, adereça-se o banquete,
- E das iguais porções nenhum se queixa.
- Exausta a sede e a fome, assim perora
- O picador Gerênio: “Ó rei sublime,
- Augustíssimo Atrida, ócios quebremos,
- Urge a façanha que nos fia o Padre:
- Os arautos na praia, eia, arrebanhem
- Emalhados Aqueus; pelo amplo exército
- Vamos nós despertar mavórcios brios.”
- Agamemnon concorda, e arautos manda
- O assalto apregoar: crinita gente
- Convocada referve; os circunstantes
- Reis da escolha de Jove as linhas formam;
- A gázea Palas a imortal embraça
- Égide incorruptível, donde pendem
- Cem franjas de áurea tela, cada franja
- Do preço de cem bois: de fila em fila
- A vibrá-la, os Aquivos apressura
- A pugnar valorosos e incessantes;
- E combater então lhes foi mais doce
- Que à pátria regressar. Como edaz fogo,
- Selva imensa abrasando em serranias,
- Longe fulgura; a hoste assim marchava
- Entre aêneo esplendor, que inflama os ares.
- Como, aleando em batalhões volúveis,
- Por Ásio pasto, em cerco do Caístro,
- Ora uns, ora outros a avançar, exultam
- Gansos ou grous ou colilongos cisnes,
- E o grasnido confuso atroa o prado;
- Assim da frota e pavilhões as turbas
- Ali se esparzem, do tropel medonho
- De homens e de corcéis rebrama a terra;
- Tantos as veigas do Escamandro pisam.
- Quantas folhas vernais ou flores brotam.
- Quais erram moscas pelo estio, quando
- Nos tarros do pastor esguicha o leite;
- É tal no plaino a soma desses Dânaos,
- Do sanguíneo triunfo ambiciosos.
- Mas, de inúmeros fatos nos pastios
- Se o cabreiro separa as notas crias,
- Seus soldados na ação discerne e alinha
- Cada chefe. Exalçava-se Agamemnon:
- O Tonante emprestou-lhe o porte e os olhos,
- Netuno os peitos, a cintura Marte.
- Entre novilhas armental o touro
- A fronte eleva: Júpiter não menos
- Fez que o primaz Atrida aquele dia
- Entre celsos varões se abalizasse.
- Oh! Celícolas Musas, inspirai-me;
- Sois deusas e na mente abrangeis tudo:
- Roçou-nos único o rumor da fama.
- Nem que dez bocas, línguas dez houvesse,
- Voz infrangível, coração de bronze,
- Pudera eu memorar quantia e nomes
- Dos que às plagas Ilíacas vieram:
- Isso às filhas do Egífero compete.
- Vou pois enumerar as naus e os cabos.
- Os Beócios governa Peneleu,
- Protenor, Clônio, Leuto e Arcesilau:
- De Aulide pétrea, Esqueno, Téspia, Escolo,
- Da Serrana Eteone íncolas eram,
- De Híria, Graia e espaçosa Micalesso;
- Ou de Hile, Harma, Elíola, Hésio, Eritas,
- Péteon, Ocaleia, Eutresis, Copas,
- Da columbosa Tisbe e torreada
- Medeona; ou de Glissa e Coroneia,
- Da virente Haliarto e de Plateias,
- Ou de Hipotebas de edifícios nobres;
- Mais do aprazível Netunino luco,
- Ou de Mideia e de Arne pampinosa,
- Da augusta Nissa, Antédona postrema.
- Cada Beócia nau, de umas cinqüenta,
- Guerreiros tripulavam cento e vinte.
- Os da Minieia Orcómeno e de Asplédon
- São com Iálmeno e Ascálafo, que a Marte
- Pariu de Actor Azida em casa Astíoque:
- À interna alcova da pudica virgem
- O deus subiu furtivo e entrou com ela.
- Naus destes filhos abordaram trinta.
- Sob Epístrofo e Esquédio, nado insigne
- De Ífito Naubolides, os Focenses,
- Quer de Píton fragosa e augusta Crissa,
- Daulida, Ciparisso e Panopeia,
- De arredores de Hiâmpole e Anemória,
- Quer do ilustre Cefisso, ou de Lilaia
- Dele matriz, em galeões quarenta,
- Dos Beócios à esquerda os colocaram.
- Não como o Telamônio alto e membrudo,
- Pequeno em corpo e o seu jubão de linho,
- Mas no dardo excedendo Aqueus e Helenos,
- O lesto Ajax de Oileu movia os Lócrios,
- De Cino, Escarfe, Opóente e Calíaro,
- De Bessa a Angeia amena habitadores,
- De Tarfe e Trônio, às abas do Boágrio:
- Dos que d’além da sacra Eubéia moram,
- Seguem-lhe a voz quarenta escuros vasos.
- Eubéia expede Abantes alentados:
- São de Estira e Caristo, Erétria e Cálcis,
- De Histieia racimosa, Dio alpestre
- E litoral Cerinto. O Calcodôncio
- Príncipe Elefenor, de Márcia estirpe,
- Em quarenta galés os petrechara;
- Ágeis, forçosos, de comada nuca,
- Destros na hasta fraxínea e aos tresdobrados
- Peitos hostis em desfazer couraças.
- Os da orgulhosa Atenas (corte egrégia
- De Erecteu magno, da alma Télus parto,
- A quem Palas Dial, que o educara,
- Deu sede em ricas aras, onde o povo
- De lustro em lustro imola e de ano em ano
- Cordeirinhos e bois que a deusa abrandem)
- Capitaneia-os Menesteu Petides.
- Homem nenhum como ele ordenar soube
- Jungidos carros e adargadas hostes,
- Salvo o experto Nestor por mais longevo.
- Cinqüenta embarcações lhe obedeciam.
- De Salamina as doze, reuniu-as
- O Telamônio às Áticas falanges.
- De Tirinto munida, Argos, Trezene,
- Lá do golfo de Hermíone e de Asine,
- De Eiona e da vitífera Epidauro,
- E de Egina e Masete a flor guerreira,
- Tidides fero, Estênelo do exímio
- Capaneu filho amado, os reprimiam;
- Mais o divino Euríalo, do régio
- Talaionides Mecisteu progênie:
- Diomedes belicoso o máximo era.
- Bojos negros oitenta os encerravam.
- Os de Órnias, da magnífica Micenas,
- Da altaneira Cleona, áurea Corinto,
- Sicíone em que reinou primeiro Adrasto;
- Os da fresca Aretírea, os que Hiperésia,
- Agros de Hélice extensa e a costa habitam,
- E Gonoessa altiva, Égion, Pelena:
- Todos em cascos cem trouxe Agamemnon.
- Tropa extremada e imensa o rei mantinha;
- Em bronze reluzindo, galhardeia
- De ser entre os Aqueus o assinalado,
- Em forças o maior e o mais possante.
- Os do vale da grã Lacedemônia,
- Fáris e Esparta, Messa altriz de pombas,
- De Amiclas, Lãa, Brísea e leda Augia;
- De Helos marinha, de Étilo e contornos:
- O estrênuo Menelau, segundo Atrida,
- A parte armou-os em galés sessenta.
- Afouto os acorçoa, ardido anela
- Desagravar o rapto e ais da esposa.
- Nestor o velho de Gerena, em cavos
- Baixéis noventa, presidia os Pílios,
- Os de Épi encastelada e Arena aprica,
- De Trio vau do Alfeu, Ciparessenta,
- Ptéleon e Anfigênia, de Helos, Dórion,
- Onde ufanoso, ao vir de Eurito e Ecália,
- A cantar provocou Tamires Trácio
- As do Egíaco filhas doutas Musas,
- Que o tino e a vista irosas lhe apagaram:
- Da alma a poesia lhe fugiu celeste,
- Nem na cítara mais dedilhar soube.
- Os de perto pugnazes, das da Arcádia
- Cilênias faldas, junto à Epítia campa,
- De Feneu, Ripe e Orcômeno armentosa,
- Tégea, Estrátia e risonha Mantineia,
- Ventosa Enispe, Estínfalo e Parrásia,
- Práticos na milícia, os acaudilha
- Em naus sessenta, cada qual mais cheia,
- O Anceides Agapénor. Para o ponto
- Cérulo transfretano atravessarem,
- Pois que eles da marinha careciam,
- Deu-lhas aparelhadas Agamemnon.
- Os de Hirmine e Buprásio, Elide santa,
- Mírcino extrema, Alísio, Olénia sáxea,
- Em dez quadripartida ocupam frota
- Que Epeus esquipam. De Cteato filho,
- Os manda Anfímaco; após ele Tálpio,
- Do Actoriônio Eurito; o Amarineides
- Belaz Diores é terceiro; é quarto
- O divinal formoso Polixino,
- Do Augeiada Agastenes procriado.
- Os Dulíquios e os mais das ilhas sacras
- Equínades, ao mar de Elide sitas,
- Em quarenta baixéis com Márcio arrojo
- Meges dirige: a vida a Fileu deve,
- Équite a Jove grato, que em Dulíquio
- Emigrando esquivou paternas iras.
- Os Cefalenses e Ítacos briosos,
- Os da áspera Egilipe e de Crocílio,
- Zacinto, Samos, Nérito sombria,
- E os do Epiro e fronteiro continente,
- Ao divo prudentíssimo Laércio
- Em doze rubros galeões seguiam.
- Em quarenta os Etólios velejaram,
- De Olenos, de Pleurona e de Pilene,
- Cálcis marinha e Cálidon fragosa,
- Sob o Andremônio Toas, que imperava;
- Eneu já sendo e a boa prole extintos,
- Pois nem restava o louro Meleagro.
- Fuscos oitenta cascos, das famosas
- Licto, Mileto, Rício, Festo e Cnosso,
- Da murada Gortina, alva Licasto,
- Na hecatômpola Creta abastecidos,
- Anima Idomeneu de invicta lança,
- E o de Belona Merion querido.
- Nove outros forneceu dos Ródios feros,
- Entre Jalisso, Linde e a branquejante
- Camiro tripartidos, grande e forte
- O hábil hasteiro Tlepolemo, estirpe
- De Astioqueia e de Hércules, que a trouxe
- De Efírio e do Seleis, cidades várias
- Tendo a alunos de Jove derruído.
- Crescendo em casa, ele matou Licinos,
- Idoso de seu pai materno tio,
- Renovo do Gradivo. Esquadra a furto
- Forma e guarnece, e escapa-se dos netos
- E outros filhos de Alcides à vingança.
- Flutua e a Rodes, pesaroso, arriba:
- Em tribos três seu povo ali segrega,
- Povo benquisto ao nume soberano,
- Que largueou-lhe pródigas riquezas.
- Nireu três naus irmãs de Sine ostende,
- Nireu do rei Caropo e Aglaia prole,
- O Grego mais gentil que veio a Tróia,
- Depois do em tudo sem senão Pelides;
- Mas, pusilânime, arrebanha poucos.
- Fidipo e Antifos trinta bucos enchem
- (Tessalo Heráclida é seu pai) de quantos
- Cultivam Cason, Crápato e Nisiro,
- E Cós ilha de Eurípilo e as Calidnas.
- De Álope, Argos Pelasga, Álon, Trequina,
- De Ftia e de Hélade em beldades fértil,
- Os Mirmidões e Aqueus e Helenos ditos,
- Aquiles em cinqüenta os refreava.
- De horríssonas contendas se deslembram,
- Falta-lhes capitão; que, ausente a jovem
- Crinipulcra Briseida, o herói a bordo
- Irado jaz. Tomou-a de Lirnesso,
- Que ele a bem custo soverteu com Tebas,
- Mortos Mínete e Epístrofo belazes,
- De Eveno Selepíada nascidos.
- Mas do ócio ainda surgirá terrível.
- Os de Fílace e Itone mãe de ovelhas,
- Do Pirrásio de Ceres flóreo parque,
- De Ptélon pascigosa e Ântron costeira,
- Denodado os juntara em naus quarenta
- Protesilau, que a terra já cobria:
- Primeiro no saltar, um Teucro o mata;
- No inacabado alvergue as faces rasga
- Em Fílace a mulher. Saudosos dele,
- Do em rebanhos ali possante Ificlo
- Nado menor, Podarces ordenava-os;
- Tão prestante não era e apessoado,
- Mas dignamente pelo irmão supria.
- Dos de Glafire e altíssima Iaolcos,
- Beba e Feres ao pé do lago Bébis,
- Tem galés onze Eumelo, prenda cara
- De Admeto e Alceste, exemplo de matronas,
- Das que Pélias gerara a mais formosa.
- Das sete em que os Metónios e os Taumácios,
- Os da tosca Olizona e Melibeia,
- Continha o magno archeiro Filoctetes,
- Remavam sagitíferos cinqüenta
- Cada bélica popa. Em Lemnos sacra
- Dos seus desamparado, ele agras dores
- Da úlcera de tetra e feroz hidra
- Mestíssimo curtia. Os próprios Gregos
- Se hão-de amiúde lembrar de Filoctetes;
- Mas, bem que tarde por seu rei suspirem,
- Submetem-se a Medon, que em Rena espúrio
- Houve o urbífrago Oileu. — Tem Podalírio
- E Macaon, herdeiros de Esculápio,
- Trinta vasos de Trica e bronca Itone,
- Também de Ecália capital de Eurito.
- De Evemon garfo ilustre, manda Eurípilo,
- Da alva serra Titane, Hipéria fonte,
- Ormênio e Astério, embarcações quarenta.
- Noutras tantas os de Orte, Elon, Gírtone,
- Da branca Oloossona e Argissa, o firme
- Campeador Polipetes sujeitava-os.
- Do rebentão de Jove Pirítoo
- Bela Hipodame o concebeu, do Pélion
- Nesse dia em que às Étices montanhas
- Ultriz lançara os híspidos Centauros.
- Leonteu se lhe agregou de Márcio esforço,
- Digna vergôntea de Coron Cenides.
- Em vinte duas traz Guneu de Cifo
- Aguerridos Perebus e Enienes,
- Os da fria Dodona, os que residem
- Nas lavras do suave Titarésio,
- Que sem mesclar-se no Peneu deságua
- De vórtices de argento e pulcra a veia
- Como óleo sobrenada; pois da Estige,
- Grave para jurar-se, ele dimana.
- Em quarenta os Magnetes, do frondoso
- Pélion e margens de Peneu, vogaram
- Sob o veloz Protôo Tentredônio.
- Tais são da Grécia os cabos. Lembra, ó Musa,
- Qual o mais forte assecla dos Atridas,
- Quais dos ginetes os melhores eram.
- De um livel, pêlo e dorso, equevas ambas,
- Éguas de Feres que maneja Eumelo,
- Alípedes que Apolo arco-de-prata
- Na Piéria nutrira, muito excelem,
- Fêmeas de ímpeto e fogo e as mais tremendas.
- O Telamônio Ajax vencia a todos,
- Enquanto Aquiles, que sem par sofreia
- Os mais guapos frisões, raivoso estava
- Nos bicudos baixéis contra Agamemnon.
- Nas tendas a coberto, junto aos carros,
- Aipo os corcéis palustre e loto pascem.
- Pela praia os soldados se divertem
- Ao disco, ao dardo e seta; ou, desgostosos
- Da inação, na peleja o herói ver querem,
- Nos arraiais aqui e ali vagueiam.
- Os demais Graios fervem, qual se a flama
- Vorasse a terra; e a terra do estrupido
- Muge e calcada geme, como quando
- Em cólera o Tonante o chão verbera
- De Arima, em que Tifeu se diz repousa.
- Eles transpunham rápido a campina.
- Mais que o vento ligeira, aos Teucros Íris
- Do Egífero desceu com triste anúncio:
- Mistos velhos e moços discutiam
- Aos pórticos reais; com rosto e fala
- Do Priâmeo Polites, sentinela
- De Esiete no túmulo vetusto,
- Que, em pés fiado, a ponto vigiava
- Se do recinto os Gregos se buliam,
- Acomete a celeste mensageira:
- “Como em dias de paz, senhor, debates,
- E a guerra hoje rebenta inelutável.
- Afeito a pugnas, tropas tais e tantas
- Nunca vi: da cidade assaltadores
- Iguais às folhas e às areias marcham.
- Heitor, ouve-me agora. Auxiliares
- De vária casta e língua em Tróia abundam.
- Cada príncipe os seus, tu firma os nossos;
- Mas a suma ordenança a ti pertença.”
- Heitor, apenas reconhece a deusa,
- Despede o parlamento; o al’arma soa.
- Abertas, precipitam-se das portas
- Em burburinho equestres e pedestres.
- Ante Ílio na planície avulta um cole,
- De caminhos cercado, que os humanos
- Batícia, imortais sepulcro chamam
- De Mirina agilíssima: distintos
- Aí perfilam Teucros e aliados.
- Dos Troianos à testa, o Priamides
- Cristado exímio Heitor em cópia armara
- Seletos belacíssimos hastatos.
- Os Dardânios alenta o grande Eneias:
- A deusa Vênus do mortal Anquises
- Teve-o no cume Ideu. Com ele Acamas
- E Arquíloco Antenóridas comandam,
- Em omnígeno prélio examinados.
- Aos que às raízes do Ida em Zélia bebem
- Água do fundo Esepo, venturosos,
- De Licaon precede o claro filho
- Pândaro, a quem doou seu arco Apolo.
- Nos de Pitieia, Adéstria, Apeso e Téries,
- Alto monte, imperava Adrasto e Ânfio
- De couraça de linho; irmãos que o padre
- Percóssio Méropo, adivinho e cauto,
- Vedou que entrassem na homicida guerra:
- Surdos a nera Parca os atraía.
- Os varões de Percote, Sesto e Abido,
- Prátio e Arisba divina, desta o Hirtácio
- Príncipe Ásio os viera estimulando;
- Ásio que doma férvidos cavalos,
- Das ribas do Seleis famosas crias.
- Das Larisseias glebas os Pelasgos
- Lanceiros com Pileu manda de Hipotoo,
- Do Teutamides Lito márcios filhos.
- Do estuoso Helesponto rege Acamas
- E herói Piroo os Traces. — Rege Eufemo
- Sagitários Cicones, de Trezênio
- Ceades geração, dileta a Jove.
- Tem Pirecme os Peônios de arco e amentos,
- Lá de Amídone, do Áxio largo à margem,
- Do Áxio que inunda límpido a campanha.
- Pilemeneu veloso os Paflagônios
- De Enete move, altriz de agrestes mulas,
- Os que o Citoro e Sésamo possuem,
- As lindas várzeas do Partênio rio,
- Comna e Egíalo e os celsos Eritinos.
- Da longe Aliba vêm de argênteas minas,
- Sob Epistrofo e Hódio, os Halisones.
- Os Mísios Crómis guia, e o vate Enono,
- A quem da morte agouros não livraram:
- Furente o Eácida o prostou no rio,
- Que rubro intumesceu de humano sangue.
- Acesos Fórcis e o deiforme Ascânio
- Da Ascânia os Frígios à batalha impelem.
- Das Tmólias faldas os Meônios seguem
- A Antifo e Mestles, Pilemênios ambos,
- Da Gigeia lagoa produzidos.
- Os Cares de Mileto e Ftiro umbroso,
- Do Meandro e Micale de árduos picos,
- De linguagem barbárica, os sopeiam
- Os filhos dois de Nómion preclaro,
- Nastes e Anfímaco. Este, qual donzela
- De ouro enfeitado, insano floreava:
- O enfeite o não salvou; que às mãos de Aquiles
- Tem de haurir no Escamandro o gole amaro,
- Será do vencedor esse ouro presa.
- Os Lícios lá do Xanto vorticoso
- Conduz Sarpédon, e o sem mancha Glauco. * * *