Pular para o texto
IlíadaLivro XXIV
LivroXXIV

Findo o certame, às naus dispersos correm

652 versos · 8 notas do tradutor


  1. Findo o certame, às naus dispersos correm;
  2. Cuidam na ceia, em brando sono pegam.
  3. Reluta à quietação, que enleia a todos,
  4. O Pelides saudoso a revolver-se,
  5. Ou supino, ou de bruços, ou de ilharga;
  6. Lembra-lhe a valentia, o ardor daquele
  7. Com quem tanto empreendeu, curtiu fadigas,
  8. Em duro marte, em perigosos mares,
  9. E debulha-se em lágrimas. Levanta-se,
  10. Vaga ao longo da praia, até que as ondas
  11. A aurora purpureia: então, jungindo
  12. O alado coche, atrás liga o Priâmeo;
  13. Roja-o três vezes do sepulcro em giro,
  14. Torna ao leito, e no pó deixa o cadáver.
  15. Dói-se Febo de Heitor, conserva-o puro,
  16. De égide áurea coberto, a fim que a rastos
  17. Lacerado não seja indignamente.
  18. Do mau trato os celícolas ditosos
  19. Compadecendo-se, o Argicida incubem
  20. De subtrair o divo herói defunto.
  21. O arbítrio aprouve, menos a Netuno,
  22. À irmã Satúrnia, à virgem de olhos garços:
  23. Elas a Príamo e seu povo odeiam
  24. Pela injúria e sentença de Alexandre,
  25. Que, em paga da lascívia e amor infesto,
  26. Em seu tugúrio a Vênus dera o pomo.
  27. Na duodécima aurora exclamou Febo:
  28. “Numes cruéis, Heitor seletas coxas
  29. Não vos queimou de bois e nédias cabras?
  30. Morto, ingratos, vedais que o veja a esposa,
  31. Mãe, filho e genitor, que o povo inteiro
  32. Alce-lhe a pira e o funeral celebre?
  33. Só vos agrada o iníquo atroz Pelides,
  34. Leão que, em si fiado, ama cevar-se
  35. Na triste grei, sem pejo ou consciência,
  36. Que humanos corações compensa ou pune.
  37. Quem perde irmão, conjunto, ou mesmo a prole,
  38. Suspira e chora, mas o nojo enfreia,
  39. Que é dos humanos sorte o resignar-se:
  40. Este, roubada ao nobre Heitor a vida,
  41. O arrasta pela campa do consócio;
  42. Contra insensível barro afronta inútil,
  43. Bruto furor que nos irrita e inflama.”
  44. Grita em cólera Juno: “Argenti-archeiro,
  45. Sócio dos maus, tais homens não compares:
  46. Heitor foi por mulher amamentado;
  47. Por deusa Aquiles, que, por mim nutrida,
  48. Esposei com Peleu, dos Céus dileto:
  49. Vós à boda assististes; ao convívio
  50. Tu, pérfido, na lira a decantaste.”
  51. Logo o Tonante: “Não te enfades, Juno.
  52. Diferem muito em honras; mas aos deuses
  53. E a mim esse era o Teucro predileto;
  54. Nem dons poupava, libações, banquetes,
  55. Nidor e fumo, recompensas nossas.
  56. Furtado não será, pois dia e noite
  57. Vela Tétis assídua. Aqui ma chamem;
  58. Discreto lhe direi que aceite Aquiles
  59. A remissão de Heitor e o renda a Príamo.”
  60. A núncia procelípede, por Samos
  61. E Imbro fragosa, ao pélago descende,
  62. E o salso lago freme; cala ao fundo
  63. Qual plúmbea péla que em selvagem corno
  64. Aos crudívoros peixes leva a morte.
  65. Numa gruta acha a Tétis e as Nereidas,
  66. Chorando o exímio Aquiles, n’alma Tróia
  67. Longe da pátria a falecer fadado:
  68. “Vem, Tétis, que te chama o Onipotente.”
  69. A argentípede acode: “Que pretende?
  70. Ir aflita me pesa à etérea corte;
  71. Mas Júpiter o manda, é quanto basta.”
  72. Eis cinge a deusa augusta o véu mais negro,
  73. De todos lugubríssimo, e dispara;
  74. Íris de aérea planta a precedia,
  75. E em derredor as ondas se apartavam.
  76. Tomam terra, ao céu voam: lá sentou-se
  77. No feliz coro Tétis; a cadeira
  78. Do Altitonante ao pé lhe cedeu Palas.
  79. Juno a consola, e em ouro passa o néctar;
  80. Bebe a Nereida e restitui o copo.
  81. E o pai de homens e deuses: “Cá vieste,
  82. Bem que indelével mágoa em ti concentres;
  83. Conheço-o, Tétis, mas te exponho a causa.
  84. Há nove dias sobre Heitor e Aquiles
  85. Urbífrago se alterca: instam que a furto
  86. O Argicida sutil salve o cadáver:
  87. Eu, por nossa amizade e o que te devo,
  88. Deixar quero a teu filho a glória toda.
  89. Anda, informa-o da cólera dos numes,
  90. Da minha indignação, pela crueza
  91. De reter ante as naus de Heitor o corpo;
  92. Remido o renda, se me teme e acata.
  93. Íris despacha ao Tróico rei brioso;
  94. Vá resgatar seu filho à Grega frota,
  95. E com largueza ao vencedor contente.”
  96. Frecha do Olimpo Tétis, e acha Aquiles
  97. Em ais na tenda; os íntimos cuidosos
  98. Para o festim lanuda rês degolam.
  99. Senta-se Tétis perto, a mão lhe afaga:
  100. “Filho, tua alma em lágrimas consomes?
  101. Enjeitas a comida, o leito esqueces?
  102. Busca alívio em amante carinhosa,
  103. Já que te acena a Morte e vou perder-te.
  104. Núncia de Jove, a indignação declaro
  105. Dele e de todo o Céu, pela crueza
  106. Com que reténs Heitor e a Tróia o negas.”
  107. Responde Aquiles: “Se é querer do Olimpio,
  108. Venha quem traga o preço e o corpo leve.”
  109. Enquanto a mãe e o filho assim discorrem,
  110. A Príamo o Satúrnio Íris deputa:
  111. “Sem demora, prescreve ao rei Troiano
  112. Que generoso rima o seu mais caro;
  113. O vencedor as dádivas contentem.
  114. Ele que vá sozinho, e idoso arauto
  115. Governe andejas mulas e a caleça
  116. Onde o morto carreie; e vá sem medo,
  117. Guia-lo-á Mercúrio aos pés de Aquiles.
  118. Do herói não tema em casa ofensa alguma,
  119. Nem de qualquer: sisudo, humano e atento,
  120. Um suplicante poupará benigno.”
  121. Disse; Íris procelípede ao palácio
  122. Real chega: o alarido e o luto encontra,
  123. Filhas de choro umedecendo as vestes
  124. Em cerco ao velho no seu manto envolto,
  125. Sujos cabeça e colo em cinza imunda,
  126. Que a rolar-se aos punhados esparzira;
  127. Filhas e noras ululando, errantes,
  128. Seus valentes invocam, tais e tantos,
  129. Pelos Aquivos golpes derribados.
  130. Ao rei trêmulo a núncia, em voz depressa
  131. Para o não abalar: “Coragem, disse,
  132. Nada receies, Príamo. Aqui Jove
  133. Benévolo me envia, e longe embora,
  134. De ti se compadece e tem cuidado.
  135. Que resgates Heitor ele te ordena,
  136. E o Pelides com dádivas comovas;
  137. Que vás às naus sozinho, e idoso arauto
  138. Governe andejas mulas e a caleça
  139. Onde o morto carreies: e vai sem medo,
  140. Guiar-te-á Mercúrio aos pés de Aquiles.
  141. Do herói ofensa alguma ali não temas,
  142. Nem de qualquer: sisudo, humano e atento,
  143. Um suplicante poupará benigno.”
  144. Partiu-se: aos filhos manda o rei que aprestem
  145. Mular caleça, e uma arca em cima liguem;
  146. Desce à fragrante câmara cedrina
  147. De excelso teto, encerro de tesouros;
  148. Chama por Hécuba: “Infeliz de Jove
  149. Me veio núncia prescrever que parta
  150. A remir nosso filho com presentes.
  151. Teu coração que diz? No meu resolvo
  152. Ir já buscar os arraiais dos Gregos.”
  153. E ela em soluços: “Onde o siso d’antes,
  154. Que estrangeiros e Teucros te louvavam?
  155. Sozinho ires às naus e ao cru verdugo
  156. Dos teus guerreiros numerosos filhos!
  157. De ferro entranhas tens. Se ele te empolga,
  158. Sem dó, respeito ou fé, será contigo.
  159. No interior destes paços o choremos;
  160. Pois ao pari-lo eu mesma, a feia Parca
  161. Fiou que, de seus pais ele apartado,
  162. Fartasse a gula dos sanhudos perros
  163. Do cruel, cujo fígado eu trincara
  164. Para vingar ultrajes do meu filho...
  165. Ah! nem fugiu, nem se esquivou cobarde;
  166. Morreu firme, por Tróia e pelas Teucras
  167. De regoado seio combatendo.”
  168. Replica o divo esposo: “Ave agoureira
  169. Tu não me sejas, nem me aqui demores:
  170. Não me convencerás. Fosse um terrestre
  171. Arúspice, adivinho ou sacerdote,
  172. Hesitar ou não crê-lo nos coubera;
  173. Mas ouvi mesmo a deusa e a vi presente,
  174. Não baldarei meu rogo. E se é destino
  175. Junto às naus Gregas acabar, acabo:
  176. Mata-me Aquiles; mas sequer meu filho
  177. Nestes braços estreite, e em choro apague
  178. Meu amargo pesar, minha saudade.”
  179. E destampando as caixas, doze aparta
  180. Peplos louçãos, mantas singelas doze,
  181. Doze tapetes, opas doze e estas
  182. Conformes várias túnicas; talentos
  183. Áureos dez, duas trípodes luzidas,
  184. Caldeirões quatro, e um copo superfino
  185. Que embaixador em Trácia lhe ofertaram:
  186. Nem reserva este em casa; a todo custo
  187. Redimir seu Heitor almeja o velho.
  188. Do pórtico o tropel gritando arreda:
  189. “Fora, vis; dor não tendes nem tristeza,
  190. Para aqui virdes agravar a minha?
  191. Ou folgais de que Jove me roubasse
  192. Meu bravo Heitor? Senti-lo-eis, perversos;
  193. Ele por terra, sois dos Gregos preia.
  194. Antes que Tróia aos olhos meus desabe,
  195. Do Orco me sorva o tragador abismo!”
  196. Disse, e os toca a bastão; mal que os expulsa,
  197. Os filhos nove increpa, Heleno, Páris,
  198. Divo Agáton, Antífono, Pamones,
  199. E Deifobo, e Hipotoo e o nobre Agavo,
  200. E Polites belaz: “Sus, preguiçosos,
  201. Paterno opróbrio! Em vez de Heitor, vós todos
  202. Jazêsseis ante as naus. Em Ílio, ai! Triste,
  203. Fortes gerei, nenhum dos quais me resta:
  204. Mestor deiforme, o campeão Troílo,
  205. Heitor, que entre os humanos parecia
  206. Não de um mortal nascido e sim de um nume,
  207. Perdeu-os Marte; ignavos sós me ficam,
  208. Falsos, hábeis na dança, ou na rapina
  209. De cabritos do público e de ovelhas.
  210. Como! Tardais em preparar as mulas,
  211. Pôr tudo na caleça, a fim que eu parta!”
  212. Humildes e submissos, leve e nova
  213. Caleça, arca, de buxo tiram jugo
  214. De embigo e anéis fornido, mais de um loro
  215. Jugal de nove cúbitos, que agitam
  216. Ao cabo do temão, por cuja argola
  217. E chaveta passando, com três voltas
  218. No embigo o enleiam de uma e de outra banda,
  219. Em nó sumindo por debaixo as pontas;
  220. Na caleça, da câmara trazido,
  221. O resgate acumulam precioso;
  222. As solípedes mulas emparelham,
  223. Com que a seu pai os Mísios regalaram;
  224. Ao velho os brutos férvidos conduzem,
  225. Que ele mesmo criara à manjedoura:
  226. Estes o arauto e o rei, no altivo pórtico,
  227. Jungem, n’alma conselhos fomentando.
  228. Chega-se Hécuba triste, e em áurea copa
  229. Vinho tendo suave, e junto pára
  230. Dos corcéis: “Toma, liba, ao grã Satúrnio
  231. Roga feliz tornada, já que à frota,
  232. A meu pesar, o ânimo te impele;
  233. Suplica e exora a Júpiter nimboso,
  234. Que do Ida em nós atenta, anúncio fausto:
  235. Voe à destra sua águia a mais dileta;
  236. Vejam-na os olhos teus, e afouto partas.
  237. Mas, se o altitonante o agouro nega,
  238. Bem que ardas em desejo, eu não te exorto
  239. A ir às naus dos furibundos Gregos.”
  240. “Sim responde o bom rei, concordo, esposa;
  241. Cumpre, a Jove implorando, alçar as palmas.”
  242. Nisto, água pura à despenseira pede;
  243. Ela queda sustêm bacia e jarro.
  244. Depois que lava as mãos, recebe o copo;
  245. No átrio em pé, liba e ora, os céus fitando:
  246. “Potente sumo deus, que do Ida imperas,
  247. Dá que benigno se apiade Aquiles;
  248. Tua águia mais dileta envia à destra;
  249. Vejam-na os olhos meus, para que afouto
  250. Às naus eu vá dos furibundos Gregos.”
  251. Próvido o escuta Jove, e a caçadora
  252. Morfom manda infalível nos augúrios,
  253. Percnon também chamada. Quanto é largo
  254. Portão soberbo de opulenta régia,
  255. Tanto ela à destra expande as asas fuscas;
  256. Tróia com regozijo a viu librar-se.
  257. Do ruidoso vestíbulo, montado,
  258. O rei despede o coche; Ideu prudente
  259. Rege de quatro rodas a caleça;
  260. Príamo atrás pela cidade excita
  261. E os ginetes flagela. Os mais conjuntos,
  262. Qual se andasse a morrer, chorando o seguem;
  263. Tanto que da muralha ao campo desce,
  264. Mestos genros e filhos se recolhem.
  265. Os dois compadecido avista Jove,
  266. E ao seu Mercúrio fala: “É-te agradável
  267. Os homens freqüentar e a gosto ouvi-los:
  268. Príamo às naus conduze, e o não pressintam,
  269. Antes que aos pés de Aquiles o introduzas.”
  270. À voz do excelso pai se inclina e apresta:
  271. Calça os áureos talares, com que adeja
  272. Sobre as terras sublime ou sobre ondas,
  273. Como rápido sopro; a vara empunha,
  274. Com que aos olhos mortais carrega o sono
  275. Ou desperta o prazer, e os ares tranca.
  276. À vista já de Tróia e do Helesponto,
  277. Num príncipe galhardo se disfarça
  278. Em venusta e pubente juventude.
  279. Aqueles, de Ilo o túmulo passado,
  280. Corcéis no rio e mulas abeberam;
  281. A Mercúrio, ao crepúsculo noturno,
  282. O arauto enxerga: “Para nós caminha,
  283. Dardânida, um varão; cogita o meio
  284. De nos salvarmos: ou fugir no carro,
  285. Ou de joelhos suplicar piedade.”
  286. Confuso o velho, atônito, hirta a coma,
  287. Retêm-se a estremecer. Mercúrio avança,
  288. A destra lhe segura e o interroga:
  289. “Quê! De noite, ancião, corcéis e mulas
  290. Chicotas, quando o sono os mais procuram!
  291. De inimigos cercado, não te assustas?
  292. Se algum te visse carretar no escuro
  293. Tesouros tais, que alvitre buscarias;
  294. Não és mancebo, e um velho te acompanha,
  295. Para a qualquer ataque resistires.
  296. Tu não me temas, defender-te quero,
  297. Pois te assemelhas a meu pai querido.”
  298. Príamo respondeu: “Bem dizes, filho:
  299. Mas protege-me um deus, que me apresenta
  300. Guia esbelto e gentil, prudente e afável;
  301. Ditosos os mortais que te geraram!”
  302. “Cordato falas, torna-lhe o Argicida;
  303. Mas sê sincero: onde as riquezas levas?
  304. Por ventura a estrangeiros, que tas guardem?
  305. Ou todos Ílio abandonais com medo?
  306. Ah! teu filho bravíssimo perdeste,
  307. Nada inferior aos Gregos no conflito.”
  308. E Príamo: “Quem és, de quem procedes,
  309. Ótimo jovem, que do extinto filho
  310. Falas-me assim cortês?” — Então Mercúrio:
  311. “Informações de Heitor obter ensaias.
  312. Muitas vezes o vi, mormente quando,
  313. Com assombro geral de lança botes
  314. Contra os baixéis os Dânaos rechaçava.
  315. Iroso Aquiles nos continha ignavos;
  316. Sou Mirmidon, na mesma nau viemos:
  317. Rico, velho também, de sete filhos,
  318. Me expediu Polictor por seu companha,
  319. Feito o sorteio. O acampamento exploro;
  320. Pois, na alvorada, os olhinegros Dânaos
  321. Ílio acometerão, que já não podem
  322. Os reis conter o exército fogoso.”
  323. Príamo inda: “Se fâmulo és de Aquiles,
  324. Dize, ante a frota jaz meu filho, ou preia
  325. Dos cães do vencedor foi lacerado?”
  326. “Jaz ante a frota, replicou Mercúrio;
  327. Aves nem cães o corpo lhe tocaram;
  328. Há doze dias, puro está sem vermes,
  329. De que os mortos na guerra são comidos.
  330. Ímpio, ao luzir da aurora, em torno o roja
  331. Do sepulcro do amigo: admirarias
  332. Quão fresca se acha a carne, estanque o sangue,
  333. Sem mais lesão, fechadas as feridas,
  334. Que lhe pregaram tantos. Já defunto,
  335. Gratos os deuses do Priâmeo curam.”
  336. Jubiloso o Dardânida: “Meu filho,
  337. Bom é render o que se deve aos numes;
  338. Em vivo nunca Heitor os esquecia;
  339. Dele extinto os celícolas se lembram.
  340. Toma este copo, e com favor supremo,
  341. Guarda-me e guia ao pavilhão de Aquiles.”
  342. “Sou moço, torna o deus, mas não me tentas;
  343. Na ausência do Pelides nada aceito;
  344. Muito o venero, desfalcá-lo temo
  345. E em seu ódio incorrer. Na via de Argos,
  346. Vás por mar ou por terra, hei-de ir contigo;
  347. Eu sendo o condutor, ninguém te ofende.”
  348. Eis pula ao carro; o açoite e as rédeas pega;
  349. Fogo inspira aos corcéis, às mulas fogo.
  350. Junto às navais trincheiras o Argicida
  351. Na ceia às ocupadas sentinelas
  352. Sono infunde, a porteira abre e destranca,
  353. Introduz a caleça e o real coche.
  354. Apropínqua-se à tenda, que de abeto
  355. Os Mirmidões para seu rei teceram,
  356. De híspida agreste cana a cobertura,
  357. Em derredor extensa paliçada.
  358. Sustinha a porta, que cerrava o claustro,
  359. Lígnea barra, a três homens grave peso,
  360. Do só Pelides facilmente alçada;
  361. O deus do lucro a Príamo a franqueia,
  362. Introduz a caleça, e em terra salta:
  363. “Velho, guiar-te aqui me ordenou Jove;
  364. Sou Mercúrio. O Pelides não me sinta,
  365. Volto; a mortais favorecer às claras
  366. Não cumpre às divindades. Entra, ajoelha,
  367. Pela mãe Tétis, pelo pai, depreca,
  368. Para amansá-lo o filho seu memora.”
  369. Mercúrio se ala; Príamo se apeia,
  370. Deixando fora a Ideu corcéis e mulas
  371. Seguiu direito; achou de Jove o aluno
  372. Dentro sentado, à parte os sócios, menos
  373. Alcimo e Automedon, ramos de Marte,
  374. Que à mesa diligentes o serviam,
  375. Onde satisfizera a sede e a fome.
  376. Não visto passa o corajoso velho,
  377. Até que prosternado, humilde beija
  378. A mão terrível que imolou seus filhos.
  379. Quando por homicídio alguém se exila,
  380. E em país estrangeiro e nobre albergue
  381. Refúgio encontra, espectadores pasmam:
  382. Pasma Aquiles assim, e os circunstantes
  383. Olham-se estupefatos. O Dardânio
  384. Súplice roga: “Lembre-te, ó Pelides,
  385. O idoso pai, como eu posto à soleira
  386. Da pesada velhice. Por vizinhos
  387. Talvez opresso, defensor não tenha;
  388. Vivo ao menos te sabe, e folga e espera
  389. Ver tornar cada dia o egrégio filho.
  390. Ai! Gerei tantos bravos na ampla Tróia,
  391. Dos quais eu penso que nenhum me resta.
  392. Cinqüenta ao vir o assédio, eram de um leito
  393. Dezenove, os demais de outras mulheres:
  394. Morte nos tem segado quase todos.
  395. O único esteio nosso, pela pátria
  396. A combater, acabas de roubar-mo,
  397. Heitor... Venho remi-lo à frota Argiva
  398. Com magníficos dons. Respeita os numes;
  399. Por teu bom pai, de um velho te apiades:
  400. Mais infeliz do que ele, estou fazendo
  401. O que nunca mortal fez sobre a terra:
  402. Esta mão beijo que matou meus filhos.”
  403. De Peleu mais saudoso, o herói suspira,
  404. Pega-lhe a destra e brando afasta o velho:
  405. Um de joelhos por Heitor pranteia;
  406. Outro chora seu pai, chora a Pátroclo:
  407. De ambos o soluçar na tenda estruge.
  408. Desafogada em lágrimas a pena,
  409. Ergue-se da cadeira o divo Aquiles,
  410. Por si levanta a Príamo, e o compunge
  411. Branca a régia cabeça e branca a barba:
  412. “Ai mísero, sobejo hás padecido!
  413. E a mim que te privei de extremos filhos,
  414. Buscas sozinho? Entranhas tens de ferro.
  415. Senta-te; ao luto agora devemos tréguas.
  416. Viver sempre em tristeza é lote humano:
  417. Existir sem cuidados é dos deuses.
  418. Há dois tonéis ao limiar de Jove
  419. De males e de bens: se misturados
  420. Os derrama o Tonante, o que os recebe
  421. Ora sofre e ora goza; mas, se entorna
  422. Somente males, em penúria o triste
  423. Vaga de pesadume em pesadume,
  424. Dos imortais ludíbrio e dos mundanos.
  425. Assim teve Peleu mil dons celestes,
  426. Brilho, opulência, império e uma deidade
  427. Por consorte; mas Júpiter negou-lhe
  428. Ao trono sucessor, porque imaturo
  429. Devo longe acabar, sem que de arrimo
  430. Lhe seja na velhice, em Tróia estando
  431. Para desgraça dela e teu flagelo.
  432. Também lograste já de quanto abrange
  433. Lesbos ao sul, de Macaris morada,
  434. A Frígia eoa e amplíssimo Helesponto;
  435. Brilhaste, velho, em filhos e riquezas;
  436. Mas, dês que o Céu mandou-te a crua guerra,
  437. Geme Ílio de matança e horror cingida.
  438. A alma em luto perpétuo não consumas;
  439. Com te afligir Heitor não ressuscitas;
  440. Quiçá maiores danos te ameaçam.”
  441. Mas Príamo: “Sentar-me, herói, não faças;
  442. Dentro sem sepultura está meu filho.
  443. Redimido, o mais breve mo apresentes;
  444. Os dons que trago aceita numerosos;
  445. Logra-os, à pátria volvas, tu que à vida
  446. E a luz do sol gozar hoje me outorgas.”
  447. Minaz Aquiles: “Não me irrites, basta;
  448. Heitor hei-de render, que prescreveu-mo,
  449. De Jove em nome, a genetriz Nereida.
  450. Sei, não mo ocultes, Príamo, às naus Graias
  451. Conduziu-te algum nume: entrar no campo
  452. Nunca ousara mortal, por mais florente;
  453. Nem iludira os guardas, nem das portas
  454. As barras facilmente descerrara.
  455. Não me comovas mais com teus queixumes;
  456. Inda que és suplicante, eu posso, velho,
  457. Expulsar-te, infringindo a lei de Jove.”
  458. Ei-lo, em susto, obedece; fora Aquiles
  459. Pula como um leão, mais seus dois pajens
  460. Alcimo e Automedon, que sobre todos,
  461. Morto o Menécio, honrava. Eles desatam
  462. As mulas e os corcéis; na tenda assentam
  463. Ideu canoro; da caleça tiram
  464. Do resgate os presentes preciosos;
  465. Dois mantos e uma túnica luzida
  466. Reserva o herói de Heitor para envoltório.
  467. As criadas mandou lavá-lo e ungi-lo,
  468. Sem visto ser do pai; receia que este
  469. Aflito rompa em cólera, e o constranja,
  470. Contra o querer de Jove, a assassiná-lo.
  471. Já perfumado, a túnica e um dos mantos
  472. Lançam-lhe; Aquiles o ergue e o põe num féretro,
  473. Que os dois com ele na caleça metem.
  474. Gemendo invoca o sócio: “Não te agraves,
  475. Pátroclo, se constar no reino escuro
  476. Que Heitor a Príamo entreguei remido;
  477. Pois tive egrégios dons, e a melhor parte
  478. Ser-te-á consagrada, alma querida.”
  479. Volve à tenda e à cadeira artificiosa,
  480. Donde saíra, na parede oposta:
  481. “Fiz, Príamo, o teu gosto, jaz teu filho
  482. No féretro; ao partir, na aurora o vejas.
  483. Porém da ceia agora nos lembremos.
  484. Níobe de comer também lembrou-se,
  485. A quem seis filhos e seis filhas jovens
  486. O Arcipotente com a irmã frecheira
  487. Prostrara a setas, porque a mãe formosa
  488. Se afrontava à pulcrícoma Latona,
  489. Tendo esta só dois partos, e ela doze:
  490. Os dois porém dos doze deram cabo.
  491. Nove dias sangüentos e insepultos,
  492. Pois Jove o povo em pedra convertera,
  493. Celestes ao dezeno os enterraram.
  494. Enfim comeu, de lágrimas cansada.
  495. Ora em Sípilo, entre ásperas montanhas,
  496. Onde as ninfas, que às margens do Aqueloo
  497. Guiam coreias, como é fama, alverga.
  498. Já transformada em rocha, inda sensível
  499. Estila a dor que os deuses lhe infligiram.
  500. Tratemos pois da ceia: ao transportá-lo,
  501. Divo ancião, prantearás teu filho.
  502. Tens muito que chorar, sossega um pouco.”
  503. Súbito sacrifica branca ovelha:
  504. Esfolam-na, esquartejam-na, e a preceito
  505. Assam de espeto no brasido as postas;
  506. Em canistréis na mesa o pão reparte
  507. Automedon, e Aquiles trincha as carnes.
  508. Às viandas se deitam; e saciados,
  509. Príamo admira o talhe do Pelides
  510. E a divina beleza, admira Aquiles
  511. A facúndia e presença do Dardânio.
  512. Depois de mutuamente se esguardarem,
  513. O ancião começa: “De Jove aluno,
  514. Repassar pelo sono me permite:
  515. Dês que às mãos tuas expirou meu filho,
  516. Não preguei mais as pálpebras; na cinza
  517. Rolo, em pranto recozo os meus pesares.
  518. Ora um bocado engulo a vez primeira,
  519. E em roxo vinho as fauces umedeço.”
  520. Estender manda ao pórtico o Pelides
  521. Belos colchões vermelhos, e por cima
  522. Tapetes e felpudos cobertores;
  523. Saem fora de tocha e diligentes
  524. As cativas preparam duas camas.
  525. O herói com falso medo: “Hospede amigo,
  526. No pórtico estarás, porquanto os Gregos
  527. Soem vir consultar-me n’alta noite;
  528. Se algum te enxerga e informar-se Agamemnon,
  529. Ser-te-ia o resgate retardado.
  530. Que tempo dize aos funerais precisas,
  531. Para eu conter o exército em repouso.”
  532. E o Tróico rei: “Se em funerais consentes
  533. Ao meu bom filho, esse favor me é grato.
  534. Em sítio nós, a mata longe temos,
  535. Ílio aterrada: ao luto nove dias,
  536. À sepultura o décimo e ao banquete,
  537. Ao túmulo o seguinte se consagre;
  538. Já que é força, ao dozeno combatamos.”
  539. “O que pedes será, tornou-lhe Aquiles;
  540. O ataque sustarei todo esse tempo.”
  541. E por mais segurança, a real destra
  542. Na sua aperta. Ao pórtico dormiram
  543. Príamo e Ideu, cuidados revolvendo:
  544. Mas dentro Aquiles e a gentil Briseida.
  545. Numes e campeões do sono logram;
  546. Velando só Mercúrio negocioso,
  547. Cogita como às naus subtraia o velho,
  548. E das portas iluda as sentinelas.
  549. Põe-se-lhe à cabeceira: “Entre inimigos
  550. Repousas, por te haver poupado Aquiles,
  551. Por excessivo preço Heitor vendendo?
  552. Por ti vivo os que restam lhe dariam
  553. Presentes em tresdobro, se Agamemnon
  554. E outros Gregos aqui te lobrigassem.”
  555. O rei, sobressaltado, o arauto acorda;
  556. Mesmo aparelha o deus corcéis e mulas,
  557. E sem que o sintam pelo campo os guia;
  558. No vau já do de Júpiter progênie
  559. Rápido Xanto, o vasto Olimpo sobe,
  560. Ao desferir seu manto a ruiva Aurora.
  561. Ambos chorosos e em suspiros trotam,
  562. Nem dos varões nem damas percebidos;
  563. Porém, montando a Pérgamo, Cassandra
  564. Áurea e venusta, o amado pai descobre
  565. E o defunto na tumba e Ideu canoro;
  566. Pela cidade soluçando ulula:
  567. “Vede, eis Heitor, ó Teucros e Troianas,
  568. Que em vivo, ao regressar de horrível pugna,
  569. De júbilo e esperança o povo enchia.”
  570. Nem homem nem mulher nas casas fica,
  571. Todos em nojo à entrada se apinhoam
  572. Do cadáver em torno; avante a esposa
  573. E augusta mãe ao féretro se arrojam,
  574. Carpem-se a coma, tocam-lhe a cabeça.
  575. A turba lastimava, e até sol posto
  576. Em pranto ali seria, se do assento
  577. O rei não grita: “Às mulas dêem passagem,
  578. Depois de mestas lágrimas fartai-vos.”
  579. Arredam-se, e a caleça ao paço roda.
  580. Em recortado leito o herói colocam,
  581. E músicos ao pé entoam nênias,
  582. A que o femíneo gemebundo coro
  583. Triste responsa. A bracinívea Andrômaca,
  584. A cabeça ao bravíssimo sustendo,
  585. O luto enceta: “Esposo em flor troncado,
  586. Viúva me abandonas, e o filhinho
  587. Que em mim geraste por desgraça dele!
  588. Púbere não será, sem que primeiro
  589. Do fastígio arruíne a excelsa Tróia;
  590. Pois acabaste, ó guarda e certo apoio
  591. De castas mães, de míseras crianças,
  592. Que arrastadas às naus serão comigo.
  593. Tens, meu Astianax, de acompanhar-me,
  594. Sob um cruel senhor escravo indigno;
  595. Ou ser de horrível torre despenhado
  596. Por Graio a cujo irmão, genitor, prole,
  597. Fez morder a poeira em cem batalhas
  598. Teu valoroso pai, na guerra acerbo:
  599. É por isso que o povo inteiro o chora.
  600. Dos parentes, Heitor, é grave a pena;
  601. Mas a dor que me punge é inda mais crua.
  602. Ah! moribundo a mão nem me estendeste,
  603. Nem adeus me disseste e os bons conselhos,
  604. Que dia e noite em pranto eu recordasse!”
  605. O lamento femíneo então redobra,
  606. E Hécuba em ais prorrompe: “Heitor, meu filho
  607. O mais amado, em vivo aceito aos numes,
  608. És seu valido em morto. Os mais Aquiles
  609. Tomados os vendia além dos mares,
  610. Em Samos, Imbro, em Lemnos de árduo porto:
  611. A ti, cortada a vida a brônzeo gume,
  612. Te rojou pela campa de Pátroclo,
  613. Se do inferno evocá-lo a que o mandaste;
  614. Mas fresco e belo estás, como a quem Febo
  615. Do arco argênteo vibrou rápida seta.”
  616. Exaspera-se o luto, e Helena exclama:
  617. “Heitor, ó meu cunhado e o mais querido,
  618. Pois, consorte me trouxe o divo Páris,
  619. E oxalá que primeiro eu perecesse!
  620. Quase há vinte anos sou da pátria ausente,
  621. Nunca te ouvi dictério e um só remoque;
  622. E, se irmã tua ou cunhada minha,
  623. Irmão teu, minha sogra (pois no sogro
  624. Meigo pai sempre encontro) me increpava,
  625. Manso e humano e indulgente o coibias.
  626. Choro-te pois e a mim, que, odiosa a todos,
  627. Não tenho quem me ampare e me perdoe.”
  628. Seu suspirar maior tristeza infunde;
  629. E ao povo imenso Príamo: “Troianos,
  630. Ide, lenhai, sem susto de emboscada;
  631. Que, ao despedir-me, Aquiles prometeu-me
  632. Só na dozena aurora o saltear-nos.”
  633. Ligam presto às carroças bois e mulos,
  634. Juntam-se ante a muralha. Ingentes cargas
  635. De lenha acarretando nove dias,
  636. Ao décimo entre lágrimas levantam,
  637. E no cimo da pira Heitor colocam,
  638. E ateiam fogo. A dedirrósea Aurora
  639. Veio raiando, e a gente refervia.
  640. Depois que em roxo vinho apagam todos
  641. Em roda a chama, seus irmãos e amigos,
  642. De arroios d’água as faces alagadas,
  643. Em urna de ouro os brancos ossos colhem,
  644. De finos mantos carmesins coberta,
  645. Na cova a metem, que por cima forram
  646. De grossas lajes. Do sepulcro ereto
  647. Em roda há sentinelas, que previnam
  648. Dos de greva louçã qualquer ataque.
  649. Já tumulado, aos paços reverteram,
  650. Onde Príamo rei, de Jove aluno,
  651. Lhes deu funéreo esplêndido convívio.
  652. Heitor doma-corcéis tais honras teve. * * *

Sobre este livro · 1 nota

Ortografia
O autor usa sempre das palavras dançar e ínclito deste modo e nunca com s e y.

Nota a nota · 7 notas

v. 36–64Que humanos corações compensa ou pune. ⋯ Aos crudívoros peixes leva a morte.
Entendo com Monti que o autor fala da consciência, que ou com a satisfação da alma ou com o remorso nos recompensa ou nos pune. Não compreendo bem a versão de M. Giguet, que é nos termos seguintes: “De même Achille a perdu toute pitié et ne connait pas la conscience, salut ou perte des humains”. — Nidor é o cheiro que exalam principalmente as carnes assadas, para o que não temos um termo especial: já possuímos o adjetivo nidoraso; possuamos também o substantivo. — Crudívoros do verso 64 é deduzido do latim, como já o fez Monti para o italiano: carnívoro, que é já nosso, não é o mesmo; porque devorar carnes não é o mesmo que devorar carnes cruas.
↩ voltar à passagem, v. 36
v. 102–103Busca alívio em amante carinhosa,
Por mais que tenha escogitado uma desculpa a esta passagem, não a encontro, nem posso aprovar que uma mãe e deusa diga ao filho que busque uma mulher para distrair. Isto mostra que naqueles tempos os costumes não eram melhores que os deste século.
↩ voltar à passagem, v. 102
v. 146Desce à fragrante câmara cedrina
Diz o autor que Príamo desceu à sua câmara, o que faz ver que ele estava num andar cimeiro. M. Giguet desprezou esta circunstância; mas outros, em vez de descer dizem subir, o que é muitíssimo contrário ao texto.
↩ voltar ao verso 146
v. 213–219Caleça, arca, de buxo tiram jugo
Este lugar, segundo os comentadores, é dificílimo; pois não se pode bem determinar como era passada e repassada a correia: não sei na verdade se acertei. Advirto que a palavra embigo, do original e da interpretação latina, vertida à letra por alguns, é para significar uma saliência no meio do jugo: não quis sair fora do texto.
↩ voltar à passagem, v. 213
v. 270–275À voz do excelso pai se inclina e apresta:
Sirvo-me quase dos próprios versos com que traduzi um passo de Virgílio no IV livro da Eneida; e busquei fazer sobressair a imitação ou versão latina.
↩ voltar à passagem, v. 270
v. 367–368Pela mãe Tétis, pelo pai, depreca,
Mercúrio a Príamo o recomenda que rogue ao vencedor, não só invocando a Peleu mas também a Tétis e a Pirro filho de Aquiles, Se não falta algum verso ao texto, falta que julgo provável, é para notar que Príamo, no seu eloqüentíssimo discurso, invoque somente a Peleu, esquecendo-se da recomendação do deus que lhe acabava de prestar um grandioso serviço.
↩ voltar à passagem, v. 367
v. 580Em recortado leito o herói colocam,
O leito em que depuseram Heitor, era aberto e recortado: alguns tradutores o chamaram magnífico, rico, etc., mas é mister exprimir-se melhor um adjetivo que mostra o estado em que então se achava a arte do marceneiro ou do entalhador.
↩ voltar ao verso 580
↑ voltar ao topo das notas