Muro da cidade, visto da parte de fora e nele um nicho, com a imagem em vulto da Senhora d
42 versos
Cena ÚNICA
( Pondo flores novas nos vasos )
MARGARIDA (só)
- Ó Virgem dolorosa
- inclina à desditosa
- o teu benigno olhar!
- Só tu, com sete espadas
- no coração cravadas,
- sabes o que é penar;
- tu sim, que viste aflita
- pender, ó mãe bendita,
- o filho teu na cruz,
- alçaste, com dois rios,
- aos céus teus olhos pios,
- chamando em vão Jesus.
- Da dor que me lacera
- mortal nenhum pudera
- sondar a profundez.
- O que este peito chora,
- treme, receia, implora,
- só tu, Senhora, o vês.
- Que dor! Nos sonhos cevo-a;
- corro a fugir-lhe, levo-a;
- que dor, oh mãe, que dor!
- Sozinha a ti me abraço,
- e em pranto me desfaço.
- Mercê! perdão! favor!
- Antes que a aurora assome,
- já o mal que me consome
- o sono me quebrou;
- sentada já no leito
- regando aflita o peito
- co’as lágrimas estou.
- Quando hoje abro a janela,
- para dos vasos dela
- trazer-te um ramo aqui,
- e a vejo apedrejada...
- co’o choro sufocada
- sem luz no chão caí.
- Ó Virgem dolorosa,
- inclina à desditosa
- o teu benigno olhar.
- Só tu, com sete espadas
- no coração cravadas,
- sabes o que é penar.