Vasta caverna de Feiticeira. Ao fundo, uma porta baixa e informe. Do lado esquerdo, uma la
357 versos · 1 notas do tradutor
Cena I
Ao pé do caldeirão, e a escumá-lo, com sentido que não deite por fora, está sentada uma CERCOPITECA ( macaca muito grande, de rabo comprido ) (*) . O CERCOPITECO ( o macho) está sentado, com os filhinhos ao pé, a aquecer-se . FAUSTO, MEFISTÓFELES.
FAUSTO (a Mefistófeles)
- Este sarapatel de nigromâncias
- faz-me nojo, declaro. E projectava
- este diabo restaurar-me a vida
- em tão vil charco de hediondezes fúteis!
- Aconselhem-se lá co’uma carcassa!
- Ou tenham fé que possam burundangas
- duma cozinha assim descarregar-me
- trinta anos do cachaço. A não saberes
- receita que mais valha, estou servido.
- Pois dar-se-á que não tenha a natureza
- algum bálsamo seu, já descoberto
- por algum alto engenho?
MEFISTÓFELES
- Aí ’stão palavras
- que mostram não ser parvo o nosso amigo.
- Sim senhor; sem sair da natureza
- há também com que um homem se remoce.
- Vem isso noutra obra; e bem curioso
- que ele é, o tal capítulo.
FAUSTO
- Declara-o!
MEFISTÓFELES
- Guapa receita. E curativo grátis,
- sem precisar Doutor, nem feiticeira.
- Ponha-se fora; vá-se aos campos; are;
- cave; enclausure-se, alma e corpo, em solo
- dadivoso mas parco; esteie a vida
- com frugal passadio; aprenda e exerça
- co’os seus brutinhos o viver nativo;
- não julgue desairar-se, em repartindo
- por suas mãos o adubo ao chão que o nutre.
- Fie-se em mim: se há coisa que descargue
- de oitenta anos, é isto.
FAUSTO
- Agora é tarde
- para me acostumar. Nunca até hoje
- peguei num alvião. Para o meu génio
- esse viver obscuro era insofrível.
MEFISTÓFELES
- Então, é recorrer à feiticeira.
FAUSTO
- Mas porque há-de ser logo a preferida
- a tal mondonga velha? Não podias
- preparar-me tu próprio a beberagem?
MEFISTÓFELES
- Belo divertimento! Eu preferia
- gastar o tempo em construir mil pontes.
- Para arranjar os filtros desta casta
- quer-se, além do saber, paciência e muita,
- e atenção de anos largos; só co’o tempo
- é que se alcança o fermentar completo
- do líquido eficaz. Pois a quantia
- d’ingredientes raríssimos! É certo
- que o diabo é quem os sabe, e ensina tudo;
- mas lá para os estar manipulando
- é que não tem pachorra.
( Reparando nos animais )
- Olhe a gracinha
- do casal que ali está! São a criada
- e o servo cá da casa.
( Aos animais )
- Olá! já vejo
- que a velhusca, vossa ama, anda por fora.
OS ANIMAIS
- Eh eh eh eh!
- Ao fricassé!
- Foi pelo cano
- da chaminé.
MEFISTÓFELES
- Gasta lá nessas frescatas
- muito tempo a feiticeira?
OS ANIMAIS
- O tempo em que na lareira
- nós aquecemos as patas.
MEFISTÓFELES (a Fausto)
- Que tais acha estes nossos bicharecos?
FAUSTO
- Ai! de apetite! Nunca os vi mais feios.
MEFISTÓFELES
- E eu então o meu gosto é conversá-los.
( Aos animais )
- Dizei, bonecos danados,
- que tendes no caldeirão,
- que estais tão azafamados
- a mexer co’o colherão?
OS ANIMAIS
- Pois não vês? esta iguaria
- são as sopas dos mendigos.
MEFISTÓFELES
- Nesse caso, meus amigos,
- tereis muita freguesia.
O CERCOPITECO MEFISTÓFELES (tira da canastra o copo dos dados, e vai-se chegando a)
- Joguemos aos dados!
- Meu rico parceiro,
- não tenho dinheiro,
- fazei-mo ganhar.
- Ser pobre é ser parvo.
- Espírito nobre,
- salvai-me de pobre,
- salvai-me de alvar.
MEFISTÓFELES
- Este cercopiteco endoidecia,
- se pudesse ganhar na loteria.
( Nestes entrementes, andam os cercopitequinhos a brincar com uma grande bola que tiraram da canastra, e vão rolando diante de si. )
O CERCOPITECO
- Tal é o mundo!
- Rolar, correr,
- subir, descer.
- Vidro rotundo
- sonoro e ouco,
- a pouco e pouco
- fendas a abrir.
- Aqui brilhante;
- lá coruscante;
- sempre cambiante,
- sempre a fugir.
- Fala-te um ente,
- qual tu vivente,
- qual tu mortal.
- Evita, amigo,
- esse inimigo
- mundo fatal.
- Crê-lo maciço,
- e é quebradiço
- como cristal.
MEFISTÓFELES
- Que faz aqui esta peneira?
- Tem algum préstimo?
O CERCOPITECO (tirando a peneira do prego)
- Pois não?
- Mostra a verdade nua e inteira.
- Supõe que fosses um ladrão,
- cara de santo e fala arteira,
- logo eu te via a maganeira,
- em observando o teu carão
- pela peneira!
( Corre para a fêmea, a quem obriga a olhar para Mefistófeles, através da peneira )
- Toma a luneta, companheira,
- observa, observa o figurão.
- Reconheceste-lo à primeira.
- Declara o nome do ladrão!
- Viva a peneira!
MEFISTÓFELES (aproximando-se do lume)
- E este pote?
OS CERCOPITECOS (macho e fêmea)
- Fora zote,
- burro, estúpido, asneirão.
- Não vês que é um caldeirão?
- Chama a um caldeirão um pote!
MEFISTÓFELES
- Bruta corja!
O CERCOPITECO (levanta arrebatadamente do chão um abano de rabo e mete-o na mão de Mefistófeles)
- O quê! Depressa!
- Toma o rabo deste abano!
- Assenta-te na tripeça,
- e esperta a fogueira, mano!
( Obriga Mefistófeles a sentar-se numa das tripeças, fazendo do abano ventarola )
FAUSTO (que durante todo este tempo, estivera parado defronte de um espelho, ora aproximando-se, ora recuando)
- Oh mago espelho! que divina imagem!
- Asas, asas, Amor! conduz-me a ela!
- Se me acerco, recua, e mal a avisto
- sombra de sombra esmorecida em névoa.
- Tais graças feminis, dar-se-á que existam?
- Estarei vendo neste esbelto corpo
- das delícias dos céus a quinta essência?
- Cabe ao mundo um tal dom?
MEFISTÓFELES
- Naturalmente.
- Quando lida na obra um Deus seis dias,
- ao sétimo a contempla, e exclama: Bravo!
- De ver está que executou portento
- de costa acima. Farte os olhos, farte!
- Deixe-me furoar que tarde ou cedo
- lhe hei-de desencantar esse tesoiro.
- Feliz quem no obtiver.
( Continua Fausto a olhar para o espelho. Mefistófeles espreguiçando-se na tripeça, e brincando com o abano, continua a falar. )
- Que belo assento,
- em que eu me estou aqui repetenando!
- Nem rei no trono. Empunho um ceptro. Resta
- vir a coroa radiar-me a testa.
OS ANIMAIS (que até aqui tem estado, uns com os outros, fazendo trejeitos e momices, trazem da canastra a Mefistófeles uma coroa, com grande algazarra)
- Tome-a lá! Grude-a a si bem grudada,
- com suores e sangue, oh Senhor!
( Ao brincarem à doida, deixam cair a coroa, que se parte em pedaços. Apanham-nos e atiram-nos por joguete uns aos outros. )
- Ih! Quebrou-se a coroa sagrada!
- Viva a turba! Acabou-se o temor.
- Galrar já podemos,
- de ventas no ar.
- As zangas que temos,
- até poderemos,
- querendo, rimar.
FAUSTO (sem se apartar do espelho)
- Ui que sanzala! Esvaem-me o juízo!
MEFISTÓFELES
- Se até eu tenho a bola à roda, à roda!
OS ANIMAIS
- E se a coisa desta feita
- vinga e dá seu resultado,
- das ideias a colheita
- torna o mundo afortunado.
FAUSTO (como acima)
- Já me arde o coração. Presto, fujamos!
MEFISTÓFELES
- Já se vê pelo menos que estes mecos
- tem para a poesia embocadura.
( Como a macaca tinha largado o caldeirão, começa este a entornar-se, ocasionando grande labareda que sobe pela chaminé. Pelo meio dessa labareda, desce a Feiticeira vozeando. )
Cena II
A FEITICEIRA e os MESMOS
FEITICEIRA
- Ão, ão, ão, ão!
- Maldita mona,
- que me entornaste
- o caldeirão,
- e a vossa dona
- incendiaste!
- Maldita! ão, ão!
( Repara em Fausto e Mefistófeles )
- Que temos? Vós quem sois? Quem teve o atrevimento
- de vos deixar entrar? qual era o vosso intento?
- Por entrardes sem vénia e a furto aos lares nossos,
- má fogo que vos queime, e vos derreta os ossos!
( Mete o colherão na caldeira; tira-o cheio; sacode o líquido, que vai cair, convertido em chamas, sobre Fausto, Mefistófeles e os animais. Os bichos lançam grandes guinchos )
MEFISTÓFELES (levantando-se a súbitas, revira o abano com o cabo para fora, e começa a malhar com ele na caldeira, e em tudo que vê diante)
- Ah! tu brincas? Pois eu faço
- à tua solfa o meu compasso,
- múmia ascosa. Na fogueira
- vaso as sopas. A caldeira
- ela aí vai tornada estilhas;
- e atrás dela estas vasilhas...
- Nada inteiro há-de ficar.
( A Feiticeira tem ido retrocedendo, cheia de terror )
- Monstro! horror! arcaboiço! Olá! Não reconheces
- o teu amo e senhor? Ínfima das refeces,
- queres-te opor a mim? Não sei que me tem mão
- que vos não leve a pau, desfeitas, de rondão,
- tu, e toda a relé da tua bicharia.
- Pois já esta demente acaso esqueceria
- este cocar de galo? a cor de grã que eu visto?
- até o meu semblante? Ainda, após tudo isto,
- para saber quem sou precisa que lhe ponha
- claro, eu próprio, o meu nome, a biltre sem vergonha!
A FEITICEIRA
- Confesso, Grão Senhor, que foi mal recebido.
- Vossa alteza perdoe;... mas tinha-lhe esquecido
- o pezinho cabrum e o par de corvos .
MEFISTÓFELES
- Bem.
- Por esta inda te passo.
( A Fausto )
- Ele havia também
- já tantíssimo tempo, a dizer a verdade,
- que me não tinha visto!... A lei da humanidade
- também se estende a nós: Le monde marche. Um vento
- que se chama O Progresso, ora rijo, ora lento
- mas constante, que varre e leva a quanto existe,
- também por cá chegou. Foi-se o fantasma triste
- do nevoento Norte. Onde há já ’í diabo,
- que use chavelhos, garra ou pé de cabra e rabo?
- Ora eu enquanto ao pé, - membro que não dispenso,
- por ser quem me carreia em basta gente assenso -
- quanto ao pé, anos há que uso ao disfarce botas,
- como usam panturrilha os magrizéis janotas.
A FEITICEIRA (cantando e dançando)
- Não caibo em mim d’alegria
- por ver meu Dom Santanás
- nesta minha cova fria,
- tal como outrora soía,
- lá quando eu era algum dia
- menos velha, e ele rapaz.
- Viva o meu Dom Santanás!
MEFISTÓFELES
- Vedo que nunca mais tal nome se me dê.
A FEITICEIRA
- Pois que mal lhe fez ele? explique-se: porquê?
MEFISTÓFELES
- Nome é que anda há já muito entre outros mil escritos
- no volumoso rol das fábulas e mitos.
( A Fausto )
- Coisas da espécie humana: o génio mau proscrevem
- e ficam-se co’os maus; a esses não se atrevem.
( À Feiticeira )
- Chama-me se te apraz «Barão!» «Senhor Barão!»
- Não há mais que dizer. Fico um fidalgarrão
- como os do sangue azul. Quanto eu sou nobre, escuso
- encarecer-to; e aí vão as armas do meu uso!
( Faz certo accionado. )
A FEITICEIRA (rindo a bandeiras despregadas)
- Ah ah ah ah!
- Ih ih ih ih!
- Nunca vi, não há,
- não há, nunca vi
- brejeiro maior!
- Bargante, bargante!
- Em moço, tunante;
- em velho, pior!
MEFISTÓFELES (a Fausto)
- Repare, meu amigo e aprenda! Esta a maneira
- como deve tratar co’a súcia feiticeira.
A FEITICEIRA
- Que desejam agora estes senhores?
MEFISTÓFELES
- Mando
- que nos tragas já já um copo trasbordando
- da sabida mistela, e quanto mais anosa
- a tiveres, melhor, mais eficaz.
A FEITICEIRA
- Gostosa
- obedeço já já.
( Tira uma garrafa e um copo da cantareira )
- Nesta garrafa tenho
- com que dar ao seu mando óptimo desempenho.
- Desta é que eu muita vez mato o bicho. Fortum
- nem por onde ele passe. Um copo! e mais do que um
- se quiser, essa é boa!
( Baixo a Mefistófeles )
- Olhe que o sujeitinho,
- se traga aquilo assim como quem bebe vinho,
- sem se ter preparado, estoira antes de um’hora,
- bem sabe.
MEFISTÓFELES (baixo à Feiticeira)
- O teu receio é mal cabido agora.
- Eu sou amigo dele e não lhe quero a morte.
- Podes-lhe dar sem medo o que haja de mais forte
- no teu laboratório. A l’obra, presto, a l’obra!
- Risca-me nesse chão o círculo da cobra.
- Reza lá o conjuro, e dá-lhe um copo cheio.
( A Feiticeira com solenes ademães, risca um círculo e põe-lhe dentro coisas esquisitas. Para logo principiam os utensis e os copos a traquinar, com certa afinação. Traz afinal um cartapácio. Mete no círculo os cercopitecos. Um deles fica a servir-lhe de estante. Os outros archotes tirados da canastra, e que per si se acenderam simultaneamente. A Feiticeira acena a Fausto, que se lhe acerque )
FAUSTO (a Mefistófeles)
- Mas tudo isso a que vem? Patranhas vãs! Descreio
- de quanto vejo aqui: visagens estudadas,
- imposturas sem sal, tontices, meros nadas.
- Sei tudo isso de cor; tenho-lhe nojo.
MEFISTÓFELES
- Asneira!
- É forte bravejar contra uma brincadeira!
- Pois não vês que a mulher não faz em tudo aquilo
- senão seguir à risca o medical estilo?
- para que te aproveite e preste a beberagem,
- põe muito palavrão, muitíssima visagem.
A FEITICEIRA (empurra Fausto para dentro do círculo; e põe-se a ler no livro, declamando com grande ênfase)
- Agora me explico,
- Do um, dez fareis;
- o dois deixareis;
- o três uguareis;
- e já sondes rico.
- Lançar quatro fora.
- Dos cinco e dos seis,
- sete e oito fareis.
- São estas as leis,
- e andai-vos embora.
- E os nove são um;
- e os dez são nenhum.
- E tenho acabada,
- segundo cumpria,
- toda a tabuada
- da feitiçaria.
FAUSTO (a Mefistófeles)
- Ela estará com febre? A modo que extravaga.
MEFISTÓFELES
- Ai! de pouco se admira. Inda por ora a saga
- do intróito não passou; e todo o calhamaço
- vai no mesmo teor. Eu já o li de espaço;
- por sinal que até fiz sobre o seu conteúdo
- o estudo mais cabal, mais sério, mais miúdo,
- do que vim a inferir o que lhe exponho franco:
- no que é contraditório, o sábio fica em branco,
- assim como o ignorante. Esta arte, meu amigo,
- é velha e nova; há nela, a par do imenso antigo,
- algo também moderno. Inda não houve idade,
- que, a bem de traficar co’a pobre humanidade,
- não andasse a espalhar, com rara impavidez,
- erros de três por um, ou erros de um por três.
- Onde havia ensinar-se o claro, o verdadeiro,
- mentiu-se adrede ao vulgo estólido e crendeiro.
- Contra a superstição e audácia, era preciso
- combater e suar; e a gente de juízo
- preferiu sempre a tudo um bom viver pacato.
- Nos mortais em geral dá-se um pendor inato
- para absorverem crença. Era melhor primeiro
- pensar, e crer depois; crer só no verdadeiro.
A FEITICEIRA (continuando)
- A potência da ciência
- que anda oculta em névoa escura,
- só revela a sua essência
- ao mortal que a não procura.
FAUSTO
- Que absurdo nos diz ela? A tantos disparates
- já se me oira a cabeça; oitenta mil orates
- não doidejavam mais.
MEFISTÓFELES
- Nobre sibila, basta!
- Venha o copo e bem cheio. Um homem desta casta,
- um famoso Doutor em tanta faculdade,
- pode beber sem risco e sem dificuldade.
- Mal imaginas tu que tragos de alto engodo
- ele já tem provado.
( Notando em Fausto alguma hesitação, continua. )
- Abaixo! abaixo! Todo!
- Animo! escorripicha! E tu verás em breve
- como esse coração bate contente e leve.
- Ora gosto de ti! Convives co’o demónio
- tu cá, tu lá , e agora estás como um bolónio
- com medo a um fogachinho!
( Fausto acaba de beber resolutamente o copo apesar de saírem dele pequenas chamas. )
( A Feiticeira desfaz o círculo. Fausto sai dele. )
- Estás liberto. Agora,
- exercício que farte.
A FEITICEIRA
- Em muito boa hora
- que tomasse o meu filtro.
MEFISTÓFELES (à Feiticeira)
- E tu, se me quiseres
- alguma coisa, velha, é bom que lá me esperes
- na Valburga esta noite.
A FEITICEIRA (a Fausto)
- Aprenda outra cantiga
- antes de se ir embora; e é dadiva de amiga.
- Toda a vez que a entoar, há-de sentir no peito
- um certo não lho digo; enfim um certo efeito
( Fausto dá-lhe costas enjoado, com ar desprezativo )
MEFISTÓFELES (a Fausto)
- Vem comigo, eu te guio. Afim de que a poção
- no interior e por fora opere a sua acção,
- não há que estar à espera; é necessário e urgente
- medir terra, correr, suar copiosamente.
- Depois te ensinarei como se logra a vida
- no suave far niente em flores envolvida,
- e como o deus de amor brinca, borboleteia,
- e oferta aos lábios mel pela áurea taça cheia.
FAUSTO (querendo tornar-se ao espelho)
- Deixem-me inda uma vez mirar nesse brilhante
- venturoso cristal a que é sem semelhante,
- da graça o non plus ultra.
MEFISTÓFELES
- À fé, que a imagem dela
- era de todo o ponto e em todo o extremo bela;
- mas que não dirás tu, em vendo o original?
- vivinho! em carne e osso! ao pé de ti!
( À parte )
- Que tal!
- Co’a dose que tomou, qualquer mulher que aviste
- vai julgá-la outra Helena.
- Ah, sábio, alfim caíste!