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OdisseiaLivro XII
LivroXII

Do rio Oceano ao pélago saímos

337 versos · 4 notas do tradutor


  1. Do rio Oceano ao pélago saímos,
  2. Donde o Sol nasce e os coros são da Aurora,
  3. E na praia da Eéia, a nau varando,
  4. À espera que alvoreça, adormecemos.
  5. Da manhã mal assoma a rósea filha,
  6. De Elpenor o cadáver buscar mando:
  7. Num teso litoral cortam-se troncos,
  8. Em pranto o corpo e as armas lhe queimamos;
  9. Túmulo erguido e uma coluna em cima,
  10. No alto sepulcro se lhe fixa o remo.
  11. Durante os funerais, Circe, que do Orco
  12. Nos sabia de volta, apressurou-se
  13. Com servas, que trouxeram pães e carnes
  14. E roxo ardente vinho: “Ó tristes, clama,
  15. Tendes, vivos calando ao fundo abismo,
  16. Dupla morte, e os mais homens têm só uma.
  17. Comei, bebei de dia, e na arraiada
  18. Navegai; vossa rota, e em mar e em terra
  19. Como eviteis o dano, hei de ensinar-vos.”
  20. Persuadiu nosso peito. Em pingue bodo
  21. Libanos; e, ao crepúsculo da tarde,
  22. Sobre amarras dormindo a marinhagem,
  23. Circe me toma a destra, a par se encosta,
  24. Pergunta-me de parte; eu por miúdo
  25. A satisfaço, e ela assim discorre:
  26. “Pois bem; atende agora, e um deus na mente
  27. Meu conselho te imprima. Hás de as sereias
  28. Primeiro deparar, cuja harmonia
  29. Adormenta e fascina os que as escutam:
  30. Quem se apropinqua estulto, esposa e filhos
  31. Não regozijará nos doces lares;
  32. Que a vocal melodia o atrai às veigas,
  33. Onde em cúmulo assentam-se de humanos
  34. Ossos e podres carnes. Surde avante;
  35. As orelhas aos teus com cera tapes,
  36. Eusurdeçam de todo. Ouvi-las podes
  37. Contanto que do mastro ao longo estejas
  38. De pés e mãos atado; e se, absorvido
  39. No prazer, ordenares que te soltem,
  40. Liguem-te com mais força os companheiros.
  41. “Dali passado, a via não te aponto
  42. Que te cumpre seguir; tu mesmo a escolhas.
  43. Há dous penedos, que os Supremos chamam
  44. Errantes onde fremem de Anfitrite
  45. Ondas azuis, por onde nem transvoam
  46. Fracas pombas, que a Jove ambrosia levam;
  47. Precipita-se alguma, e o Padre logo
  48. Produz outra e seu número completa.
  49. Ai da próxima nau! maruja e lenho
  50. Devoram chamas, furacões destroçam:
  51. À de Argos só fadado foi transpô-los,
  52. De Etas vogando; e ali talvez jazera,
  53. Se não fora Jasão tão caro a Juno.
  54. “De um fere os céus o tope, calvo e a pique
  55. De inverno ou de verão sempre enublado;
  56. Vinte pés tenha e mãos, ninguém trepá-lo
  57. Ou deslizar por seu declive pode.
  58. Antro abre em meio para as trevas do Orco;
  59. Lá forçar cumpre a voga, ó nobre Ulisses.
  60. Dos bancos, por mancebo vigoroso,
  61. Vibrada seta ao fundo não vingara,
  62. Onde a ladrar se aloja o monstro Cila,
  63. Como tenrinhos cães, horrenda aos olhos
  64. Dos próprios deuses: pernas doze informes,
  65. Seis tem longos pescoços, nas seis bocas
  66. Dentuça tríplice, os colmilhos cheios
  67. De negra morte; no antro semi-oculta,
  68. Fora do báratro as cabeças lança,
  69. Para cações pescar, delfins, baleias,
  70. Que a sonora Anfitrite em barda cria.
  71. Baixel de além surgir não mais se gaba,
  72. Sem que um varão cada garganta engula.
  73. O outro, fronteiro e ao pé, se eleva menos,
  74. De frecha o atingirias. Tem florente
  75. Copada baforeira, e as turvas águas
  76. Em baixo ao dia vezes três Caríbdis
  77. Sorve e revessa três; mas, quando as sorve,
  78. Se ao vórtice terrível te acercasses,
  79. Nem por Netuno tu serias salvo.
  80. Cose-te a Cila pois, amiúda o remo;
  81. Seis é melhor perder que os sócios todos.”
  82. E eu: “Livre, ó deusa, da voraz Caríbdis,
  83. Como de Cila poderei vingar-me,
  84. Da ofensora dos meus?” — Tornou-me Circe:
  85. “Guerras sonhas, demente, e contra numes?
  86. Imortal, seva, tetra, inexpugnável,
  87. O remédio é fugir da imana Cila:
  88. Se tardas, junto à rocha armando o braço.
  89. Temo que novamente as seis cabeças
  90. Mais outros seis remeiros te arrebatem.
  91. Veloz navegues, e a Cratéis implores,
  92. Que essa pariu flagelo dos humanos,
  93. Para do assalto posterior contê-la.
  94. Vai rumo de Trinácria, onde o Sol gordos
  95. Há sete armentos e rebanhos sete,
  96. Cada manada com cinqüenta reses,
  97. Que nunca se propagam, nunca morrem:
  98. A Faetusa e Lampécia de áureas tranças,
  99. Do Hiperiônio e de Neera filhas,
  100. A mãe deusa educou-as, e em Trinácria
  101. As destacou por guarda a pretas vacas
  102. E ovelhas de seu pai. Se intactas forem,
  103. Dificilmente abordareis à pátria;
  104. Senão, te agouro aos teus e à nau ruína,
  105. Ou tarde e só te salvarás aflito.”
  106. Circe retira-se ao luzir da aurora;
  107. Embarco e mando suspender amarras;
  108. A gente, pelas tostes ordenada,
  109. A compasso verbera a salsa espuma;
  110. Bom sócio, enfuna e sopra o vento em popa
  111. Que invoca a ninfa de anelado crino;
  112. Tudo a ponto, embarcamo-nos entregues
  113. Às auras e ao piloto; eu mesto falo:
  114. “Não somente um nem dous, amigos, saibam
  115. O que a deusa das deusas me predisse,
  116. Para informados ou morrermos todos
  117. Ou da Parca fugirmos. Das Sereias
  118. Evitar nos ordena o flóreo prado
  119. E a voz divina; a mim concede ouví-las,
  120. Mas ao longo do mastro em rijas cordas.
  121. E se pedir me desateis, vós outros
  122. De pés e mãos ligai-me com mais força.”
  123. Mal acabava, à ilha das Sereias
  124. Avizinha-se a nau com vento fresco.
  125. Súbito acalma, e um deus serena as ondas;
  126. Já ferrado no bojo o pano arreiam,
  127. Do liso abeto ao golpe alveja a espuma.
  128. De cera um disco a bronze em porções corto,
  129. Forte as machuco e as amoleço ao lume
  130. Do Hiperiônio Sol, de homem por homem
  131. Os ouvidos entupo; ao mastro em cordas
  132. Atam-me pés e mãos, e aos remos tornam.
  133. Eis, a alcance de um grito, elas, que atentam
  134. O impelido baixel, canoro entoam:
  135. “Tem-te, honra dos Aqueus, famoso Ulisses,
  136. Nenhum passa daqui, sem que das bocas
  137. Nos ouça a melodia, e com deleite
  138. E instruído se vai. Consta-nos quanto
  139. O Céu vos molestou na larga Tróia,
  140. Quanto se faz nos consta n’alma terra.”
  141. Destarte consonavam: da harmonia
  142. Encantado, acenei que me soltassem;
  143. Mas curvam-se remando, e com mais cordas
  144. Perimedes e Euríloco me arrocham.
  145. Nem já toava ao longe a cantilena,
  146. Quando os consócios, desuntada a cera,
  147. Desamarram-me enfim. Remota a ilha,
  148. Vejo em fumo e escarcéus, um ruído escuto;
  149. Ao marinho rumor, de susto as vogas
  150. Largaram de repente, a nau parou.
  151. De banco em banco, afável os conforto:
  152. “Provado, amigos, temos outros males;
  153. Este não é maior que o da caverna
  154. Do violento Ciclope; recordai-vos
  155. Que o venceu meu denodo, engenho e tino;
  156. Ânimo! obediência; altas maretas
  157. Curvados açoutai. Permita Jove
  158. Que do passe escapemos! Tu, piloto,
  159. Pois meneias o leme, não te olvides:
  160. Fora daquele fervedouro e fumo
  161. Orça, o escolho fronteiro não te assalte;
  162. Se discrepas incauto, a morte é certa.”
  163. Rendem-se às minhas ordens. Só de Cila
  164. Não menciono o perigo inelutável,
  165. Temendo que eles, de remar cessando,
  166. Se agachassem no fundo. Eu mesmo esqueço
  167. De Circe avisos; arnesado, empunho
  168. Piques dous, e ao bailéu da proa corro
  169. Para enxergar primeiro o pétreo monstro
  170. Pernicioso aos meus: não pude, os olhos
  171. Se bem cansasse em torno da atra rocha.
  172. Pelo estreito gementes navegamos:
  173. Cila é daqui; dalém, Caríbdis seva
  174. Os salsos goles chupa: ao vomitá-los,
  175. Ferve a chiar como a caldeira ao fogo,
  176. Sobe o rocio e borrifa os cimos ambos;
  177. Ao sorvê-los, parece remexer-se,
  178. Toa horrorosa a penha, e em baixo a terra
  179. Mostra areia cerúlea. Amarelecem
  180. E, estando nela o exício afigurado,
  181. Cila é que me arrebata uns seis guerreiros
  182. De esforço e brio: olhando para os bancos,
  183. Pernas lhes vejo e braços pelos ares;
  184. Na agonia final por mim bramavam.
  185. Qual de alto o pescador, por um caniço
  186. Lançando em chifres de selvagem touro
  187. Isca e dolo a peixinhos, para cima
  188. Palpitantes os puxa; tais levanta
  189. Cila os meus, que devora à boca do antro.
  190. As mãos rugindo os míseros me estendem!
  191. Mares vaguei, sofri cruéis tormentos;
  192. Nunca um tal espetáculo assombrou-me.
  193. Atrás Cila e Caríbdis, avistamos
  194. Ilha onde os nédios bois de larga fronte
  195. E os rebanhos do Sol pastam sublime;
  196. O mugir e o balar de bordo sinto:
  197. Lembram-me anúncios do Tebano cego:
  198. Lembra-me Circe, que vedou-me a entrada
  199. Na ilha do Sol, delícias dos humanos;
  200. Atribulado amoesto: “Ouvi-me, sócios.
  201. Com paciência agouros de Tirésias
  202. E os de Circe, que à ilha me proíbem
  203. Do Sol portar, a todos nós funesta;
  204. Dela o fusco navio impeli fora.”
  205. Este anúncio os confrange, e molestou-me
  206. Euríloco tenaz: “Ímprobo Ulisses,
  207. Tu não cansas, teus membros são de ferro,
  208. Pois de fadiga e sono a gente opressa
  209. Na ilha vedas saltar onde aprestemos
  210. Boa ceia, e à matroca temerário
  211. Em trevas pelo ponto errar nos mandas.
  212. Em procela, e noturna, onde abrigar-nos,
  213. Se Noto ou Zéfiro em tufão rebenta,
  214. Os mais duros às naus, mau grado aos numes?
  215. Ceda-se à escuridão; toca a cearmos,
  216. E o pélago amanhã sulque-se embora.”
  217. Do consenso geral tirei que a perda
  218. Nos traçava um demônio: “Eis-me vencido,
  219. Clamo, Euríloco! Ao menos jurai todos,
  220. Em rês alguma não bulir nefandos;
  221. O que Circe nos deu comei tranqüilos.”
  222. Juraram-me formais, e em porto ancoro
  223. Ante uma fonte amena. Ao desembarque,
  224. Curam da ceia; já repletos, lembram
  225. Os que Cila voraz nos engolira,
  226. Até que ao pranto lhes sucede o sono.
  227. Da noite por um terço indo-se os astros
  228. Grã borrasca o Nimbífero carrega,
  229. Pego e terra embruscando, e rui do pólo
  230. Denso negrume; e assim que a matutina
  231. Aurora aponta, em gruta a nau pusemos,
  232. De ninfas gentilíssimas assento.
  233. Oro em conselho: “Mantimentos sobram;
  234. Será fatal comermos bois e ovelhas
  235. Do acre Sol, que vê tudo e tudo exouve.”
  236. Seu brio suadi. Sós Euro e Noto
  237. Sopraram de contino um mês inteiro:
  238. Pão tendo e vinho, abstinham-se das reses,
  239. Cuidadosos das vidas; gastam mesmo
  240. As vitualhas, pela fome urgidos
  241. Que o ventre nos roía, à caça andamos
  242. De aves e peixes, do que anzóis pilhavam,
  243. Dardos, seta ou rojão. Pela ilha fui-me
  244. Os deuses a rogar, se algum maneira
  245. De sair me indicasse: as mãos lavando
  246. Num abrigado, imploro à etérea corte,
  247. Que me infundiu nas pálpebras o sono.
  248. O mal, no entanto, Euríloco sugere:
  249. “Desgraçados, a morte é sempre feia,
  250. Mas a pior é perecer de fome.
  251. Os bois do Sol carnudo imolemos
  252. Aos imortais, e ao claro deus sublime
  253. Na pátria precioso orne-se um templo;
  254. E se irritado, os outros consentindo,
  255. For seu gosto afogar-nos, antes quero
  256. Beber de um trago a morte em salsas ondas
  257. Que ir em deserta ilha definhando.”
  258. Aplaudem-no; e, prendendo os mais vistosos,
  259. De larga fronte e retorcidos cornos,
  260. Que ante a rostrada fusca nau pasciam,
  261. Das vítimas em torno aos deuses votam
  262. Uns grelos de carvalho alticomado,
  263. Por faltar branco farro. Preces findas,
  264. Matam, esfolam, separando as coxas;
  265. Das quais por cima, em duplo zerbo envoltas,
  266. Põem miúdas porções do corpo inteiro,
  267. E por não terem vinho para o fogo,
  268. Água libando os intestinos assam.
  269. Ao fixarem no espeto as gordas postas,
  270. Sacudo o brando sono, e alvorotado
  271. À praia me encaminho. Já não longe
  272. Das carnes sinto o recendente cheiro;
  273. Aos Céus triste bradei: “Júpiter padre,
  274. Numes, em divo sono me ensopastes,
  275. Para um tal sacrilégio perpetrarem!”
  276. Ao Sol voa Lampécia amplo-velada
  277. O crime a delatar, e o Sol furente
  278. Bramiu: “Jove, ó beatos sempiternos,
  279. Puni-me do Laércio os companheiros;
  280. Ah! mataram-me os bois, meu gosto e enlevo,
  281. Quando eu subia ao céu, descia à terra:
  282. Se vós não me vingais, vou-me a Sumano
  283. A alumiar as sombras.” — E o Tonante:
  284. “Ó Sol, aos deuses de luzir não cesses
  285. E aos terrestres mortais: a raio ardente
  286. Hei de o baixel ferir e incendiá-lo
  287. No seio do atro mar.” — Isto Calipso
  288. Me declarou, que o soube de Mercúrio.
  289. Chegando à praia, increpo homem por homem;
  290. Nenhum remédio havia às mortas reses.
  291. Manifestou-se a cólera suprema:
  292. Peles serpeiam; carne assada ou crua
  293. No espeto muge, a voz bovina soa.
  294. Seis dias, não obstante, se nutriram
  295. Do melhor da manada; e, o borrascoso
  296. Vento acalmando ao sétimo, embarcamos,
  297. E ereto o mastro, as velas desferimos.
  298. Some-se a ilha, o pólo e o mar só vemos
  299. Eis cerúleo bulcão sobre o navio,
  300. Retém-no um pouco, enegrecendo as ondas;
  301. Mas em rajada Zéfiro estridente
  302. Rompe os ovéns do mastro, que à ré tomba
  303. Atirando o maçame na sentina,
  304. E à popa o crânio do piloto racha;
  305. Da tolda qual mergulhador caindo,
  306. A alma gentil os ossos lhe abandona.
  307. Jove troveja; o raio a nau revira
  308. E enche de enxofre, deita a gente fora;
  309. Como alcatrazes de redor flutuam,
  310. Da volta os priva um deus. Ando e regiro,
  311. Té que descose a vaga as amuradas
  312. E joga o inerme lenho; pela base
  313. Fende o mastro, e o sustenta uma correia;
  314. Com esta ao casco o ligo e em tal jangada
  315. Leva-me o vento. Zéfiro sossega;
  316. Mas Noto áspero angústias me acrescenta,
  317. Ir outra vez receio ao freto imano.
  318. Vago a noite; mas n’alva o escolho enxergo
  319. De Cila e de Caríbdis, que medonha
  320. Absorvia as maretas: eu, na altura
  321. Da baforeira, à guisa de morcego
  322. Me implico; os pés nem sento nem remonto,
  323. Longe estando as raízes e a ramada
  324. Que sombreia a voragem. Lá me agarro,
  325. Té que, à hora em que o foro e os litigantes
  326. Larga o juiz para cear, Caríbdis,
  327. A meus desejos lenta, o mastro e o buco
  328. Vomita: eu me despego, e na jangada
  329. Baqueio estrepitoso, a braços remo.
  330. O pai de homens e deuses, por salvar-me,
  331. Tolheu que Cila então me lobrigasse.
  332. Nove dias labuto, e o Céu me aporta
  333. Já na décima noite à ilha Ogígia,
  334. Onde acolheu-me e acarinhou Calipso,
  335. Deusa de humana voz. Que resta? Em casa
  336. Ontem me ouviste e a casta soberana:
  337. Repetir o narrado é fastidioso.”

Nota a nota · 4 notas

v. 53Se não fora Jasão tão caro a Juno.
Não obstante haver mais razões para pensar-se que a Cila e a Caríbdis de Homero estavam onde as pôs Virgílio, esta passagem dos Argonautas de Jasão excita não pequena dúvida, e formou um dos argumentos de Rochefort. É uma questão interminável.
↩ voltar ao verso 53
v. 246Num abrigado, imploro à etérea corte,
Abrigado, que Bernardes e outros substantivaram, neste sentido não vem nos dicionários.
↩ voltar ao verso 246
v. 302–309Rompe os ovéns do mastro, que à ré tomba
Amphoterou muitos vertem por dous, dizendo que ambos os cabos do mastro foram quebrados: eu cuido que a palavra quer dizer de uma e outra parte; porque o mastro não seguraram sós dous cabos, seguram vários de uma e outra parte, a que os nossos marítimos chamam ovéns: Rochefort aqui foi exato. — Alcatrazes são os corvos marinhos, e destes é que fala Homero.
↩ voltar à passagem, v. 302
v. 320–324Absorvia as maretas: eu, na altura
Neste lugar, prefiro Pindemonte a M. Giguet. Eis aqui a interpretação deste: “Je saisi les branches du figuier et je m’y tiens suspendu comme un oiseau de nuit, sans pouvoir affermir mes pieds ni monter jusqu’au tronc de 1’arbre; car je suis loin des racines, et je ne tiens que l’extrémité des longs et grands rameaux qui couvrent le gouffre de leur ombrage”. Ora, a estar Ulisses agarrado aos ramos, podia ir-se alando por eles adiante e chegar ao tronco; mas a sua posição era mais perigosa: estava agarrado ao mesmo tronco, sem poder alcançar os altos ramos nem as baixas raízes, e então aferrava-se como se fosse um morcego, e a comparação torna-se da maior justeza. Esta posição era própria e azada para deitar-se no destroço do navio sem tanto perigo; e, se se deitasse da altura dos ramos de uma grande árvore, far-se-ia em pedaços. O texto é imperioso.
↩ voltar à passagem, v. 320
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