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OdisseiaLivro IV
LivroIV

Já no vale da grão Lacedemônia

649 versos · 7 notas do tradutor


  1. Já no vale da grão Lacedemônia,
  2. Em casa o Atrida glorioso encontram
  3. Com pompa a celebrar do filho as núpcias
  4. E as da filha sem pecha. Em leves carros
  5. Ia enviá-la à Mirmidônia corte,
  6. Ao do Rompe-esquadrões herdeiro Pirro,
  7. De Ílio cumprindo o juramento sacro.
  8. Do Espartano Aléctor une uma virgem
  9. Ao forte Megapentes, que uma escrava
  10. N’ausência lhe pariu: de Helena prole
  11. O Céu não lhe outorgou, depois da amável
  12. Hermíone, rival da loura Vênus.
  13. No amplo alcáçar opíparo convívio
  14. Deleita a cidadãos e a forasteiros,
  15. À lira canta um músico divino,
  16. Dous bailadores a compasso pulam;
  17. Mas o coche ao vestíbulo e o Nestório
  18. E Telêmaco estão. Pajem do Atrida,
  19. O bravo Eteoneu, que os observava,
  20. De povos ao pastor a informar veio:
  21. “Dous hóspedes, quiçá de Jove garfos,
  22. Temos: desatar cumpre a veloz biga,
  23. Ou mandá-los, senhor, para outro asilo?”
  24. “Dantes eras, Boétidas, sisudo,
  25. O flavo rei troou; mas louquejaste,
  26. Compassível discurso. Ah! quantas vezes
  27. O pão comi da mesa do estrangeiro!
  28. De novas aflições me afaste Jove!
  29. Solta a parelha, os hóspedes convida.”
  30. Eteoneu chama os fâmulos, que o seguem:
  31. Aos suados corcéis, do jugo livres,
  32. Meiam cevada e espelta a manjedoura;
  33. À parede luzente o carro apoiam;
  34. Introduzem na régia os peregrinos,
  35. Régia brilhante como o Sol e a Lua.
  36. Já farta a vista, em limpa cuba os lavam
  37. E ungem de óleo as escravas, que, em felpudos
  38. Albornozes, e túnicas macias,
  39. Do soberano a par os apoltronam.
  40. De gomil de ouro às mãos verte uma delas
  41. Água em bacia argêntea, a mesa lustra,
  42. Que enche a modesta afável despenseira
  43. De pães e das presentes iguarias;
  44. Escudelas de várias novas carnes
  45. O trinchante apresenta e copos de ouro.
  46. Dá-lhes a destra e fala Menelau:
  47. “Comei, saboreais; depois da ceia,
  48. Saberemos quem sois. De escura estirpe
  49. Certo não vindes, mas de heróis cetrados:
  50. Gérmen vil não rebenta em plantas nobres”
  51. Aqui, tergo bovino assado e gordo.
  52. Seu quinhão de honra, aos hóspedes oferta,
  53. Que ao regalado prato as mãos estendem.
  54. Refeitos já, Telêmaco ao Nestório
  55. Inclinou-se em voz baixa: “Considera,
  56. Amigo da minha alma, como ecoa
  57. E esplende a sala, em bronze, em prata, em ouro,
  58. Em electro e marfim! Do interno Olimpo
  59. É tal o adorno imenso: espanta olhá-lo.”
  60. Menelau, que o percebe, acode: “Filhos,
  61. Ninguém se iguala a Jove na opulência;
  62. Eterno é seu palácio. Uns nos haveres
  63. Superam-me, outros eu: mas que infortúnios
  64. Oito anos carreguei, vagando os mares!
  65. Vi Chipre, vi Fenícia, vi o Egito,
  66. A Etiópia, a Sidônia, Erembos, Líbios;
  67. Onde aos cordeiros nascem presto os cornos,
  68. E há três partez a ovelha anualmente:
  69. Lá senhor nem zagal tem míngua nunca
  70. De queijo e carnes e mungido leite.
  71. Enquanto eu cumulava tais riquezas,
  72. Por dolo da consorte o irmão foi morto,
  73. E elas na amarga dor não me consolam.
  74. Ter-vos-ão vossos pais, quem quer que sejam,
  75. Contado os meus pesares: de Ílio em cinzas
  76. O precioso espólio os não compensa.
  77. Com pouco no meu lar me contentava,
  78. Se incólumes vivesse os que remotos
  79. Da Argólida ubertosa lá caíram.
  80. Amiúde, sentado a lamentá-los
  81. Saudoso verto lágrimas que enxugo,
  82. Pois viver não podemos de tristezas;
  83. Porém choro um mormente, e o recordá-lo
  84. O sono tira-me e o sabor, dos Gregos
  85. O mais acérrimo e constante, Ulisses.
  86. Quantas penas o fado reservou-lhe,
  87. Quantas a mim também na ausência longa
  88. Se respira ignoramos; e o pranteiam
  89. O decrépito pai, a honesta esposa,
  90. Tenro o filho Telêmaco deixado.”
  91. À lembrança de Ulisses, água chove
  92. Dos olhos do mancebo, que às mãos ambas
  93. Esconde-os n’aba do purpúreo manto:
  94. Menelau o descobre; em si reflete
  95. Se o deixa declarar-se, ou prosseguindo
  96. Lho pergunte e se explique. Entanto, Helena
  97. Do alto assoma camarim fragrante,
  98. Qual Febe de arco de ouro: Adestra logo
  99. Chega-lhe uma poltrona, traz-lhe Alcipe
  100. De lã mole tapete, e Filo o argênteo
  101. Rico açafate dádiva de Alcandra,
  102. Mulher de Pólibo, o da Egípcia Tebas,
  103. Em maravilhas célebre. Houve dele
  104. O flavo rei de prata duas tinas,
  105. Duas trípodes e áureos dez talentos;
  106. Houve de Alcandra Helena roca de ouro,
  107. De ouro com orlas e redondo embaixo
  108. O açafate que Filo apresentou-lhe
  109. De preparado fio, a roca em cima
  110. E roxa lã. No assento e de escabelo
  111. Aos pés Helena, a Menelau inquire:
  112. “De Jove aluno, que hóspedes nos honram?
  113. Quer acerte, quer não, falar desejo:
  114. Tanto não vi, de vê-lo estou pasmada,
  115. Mulher nem homem semelhar-se a outrem!
  116. Aposto haver Telêmaco ante os olhos,
  117. De Ulisses ramo, que o deixou de berço,
  118. Quando magnânimo entre os nobres Graios
  119. Foi debelar, por minha culpa, Tróia.”
  120. E o marido: “Consorte, o mesmo cuido.
  121. As mãos tem dele e pés, cabelo e testa,
  122. O penetrante olhar; do herói me lembra,
  123. Do que por mim sofreu, do que inda sofre:
  124. Há pouco o moço, em lágrimas desfeito,
  125. No purpurino manto as escondia.”
  126. Pisístrato ajuntou: “Pastor de povos,
  127. Ele é sim, que modesto aqui primeiro
  128. De interpelar se peja a um rei tamanho,
  129. Cuja encantada voz nos regozija.
  130. O ancião Nestor mandou-me acompanhá-lo;
  131. Vem pedir-te ou socorros ou conselho;
  132. Sendo ausente seu pai, na própria casa
  133. Ah! padece, e lhe faltam protetores,
  134. Falta-lhe povo que remova o dano.”
  135. E o rei: “Que! no meu teto o filho tenho
  136. De quem por mim correu perigos tantos!
  137. Sobre os outros heróis o amava eu sempre,
  138. Se feliz travessia às naus veleiras
  139. Nos concedesse o próvido Satúrnio.
  140. Cidade evacuando a mim sujeita,
  141. Paços lhe erguera, e de Ítaca ele a gente,
  142. Família e bens à Argólida passava.
  143. Em contínua aprazível convivência,
  144. Nada nos separava, antes que a morte
  145. Nos cobrisse de trevas. Mas o Olímpio
  146. Tal dita inveja, nega-lhe a tornada.”
  147. Gera-se um vivo pranto: Helena chora,
  148. Chora o esposo e Telêmaco; o Nestório,
  149. Não enxuto, recorda-se de Antíloco,
  150. Morto às mãos de Mênon da Aurora filho,
  151. E bradou: “Prudentíssimo aclamar-te
  152. Nestor em nossas práticas saía;
  153. Digna-te ouvir meu parecer, Atrida:
  154. À mesa nunca choros me recreiam,
  155. Mas na alvorada removê-los cabe;
  156. Só consagram-se aos míseros defuntos
  157. Cortada a coma e lágrimas sentidas.
  158. O irmão perdi também, que reconheces
  159. Não era o mais imbele: ouvi que a muitos,
  160. Pois lá não fui, se avantajou garboso
  161. Velocíssimo Antíloco e bizarro.”
  162. Atalha o Atrida: “Em obras e palavras
  163. Prudência inculcas de maduros anos;
  164. Saíste ao celso pai, querido jovem.
  165. Fácil o sangue de um mortal se estrema
  166. A quem ditoso berço e casto leito
  167. O Satúrnio fadou; como o Nelide,
  168. Que em velhice pacífica desliza
  169. Entre guapos herdeiros valorosos.
  170. Mas suspenda-se o luto; as mãos se lavem,
  171. Toca a cear. Telêmaco à vontade,
  172. Raie a manhã, conversará comigo.”
  173. Água ministra Asfálio, atento servo;
  174. Deitam-se os convidados às viandas.
  175. Helena al excogita: anexa ao vinho
  176. De nepentes porção, que aplaque as iras
  177. E as tristezas desterre; o que a bebesse
  178. Não brotava uma lágrima no dia,
  179. Por mãe nem genitor, irmão nem filho,
  180. Que visse degolar. De Jove à prole
  181. Dera bálsamos e ervas Polidana,
  182. De Fono Egípcia esposa, cuja terra
  183. Os reproduz saudáveis ou nocivos,
  184. E onde o médico excede os homens todos
  185. E de Péon descende. Helena exclama,
  186. Preparada a poção: “De heróis procedem,
  187. Sim, divo Menelau; mas poderoso
  188. Dispensa o Eterno as mágoas e os prazeres.
  189. Discursando o festim saboreemos;
  190. De gratas narrações vou deleitar-vos.
  191. Todas não posso referir proezas
  192. Do sofrido varão durante o assédio;
  193. Onde os Aqueus mil transes aturastes;
  194. Mas uma contarei. De chagas torpes
  195. E andrajos desfeado, qual mendigo,
  196. Em Ílio introduziu-se, e em pobre escravo
  197. Da mesma frota Argiva disfarçou-se.
  198. Por mim só conhecido, ele às perguntas
  199. Me quis tergiversar; mas, quando ao banho
  200. O ungi, vesti-o. e lhe jurei segredo
  201. Até que aos pavilhões e às naus voltasse,
  202. Me revelou dos Gregos os projetos.
  203. Alguns matando à espada, cheio foi-se
  204. De informações. As Teucras ululavam;
  205. Eu me alegrei, pois já de novo o peito
  206. Patrizar me pedia, arrependida
  207. Sentindo o haver, a impulsos da Cipônia,
  208. Largado a casa, a filha, o toro, o esposo,
  209. Que em talento e beleza a ninguém cede.”
  210. O marido aplaudiu-a: “Sim, consorte,
  211. Muito hei peregrinado, heróis vi muitos;
  212. O coração de Ulisses nenhum tinha:
  213. Paciente, engenhoso, e forte e sábio,
  214. Quanto ideou, quanta mostrou constância,
  215. No cavalo artefato, em que os melhores
  216. Clade e exício aos Trojúgenas levamos!
  217. Com Deífobo divino ali vieste,
  218. E em seu favor um nume te inspirava;
  219. Em três giros, palpaste a cava insídia,
  220. E com voz da mulher de cada chefe
  221. Os nomeavas todos. Eu no centro
  222. E Tidides e Ulisses te escutamos:
  223. Surdir os dous ou responder quisemos;
  224. No ímpeto e fogo Ulisses nos conteve.
  225. Calam-se os mais, ia falar Anticlo;
  226. Com mãos robustas pertinaz Ulisses
  227. Lhe aperta a boca, o exército preserva,
  228. Até que enfim reconduziu-te Palas.”
  229. Eis Telêmaco: “É duro que as virtudes,
  230. Sublime rei, da Parca o não livrassem,
  231. Qual se tivesse um coração de ferro.
  232. Mandai-nos ora aonde ambos logremos
  233. As delícias do sono.” — Presto Helena
  234. Desdobrar faz ao pórtico umas camas
  235. De almofadas e espessos cobertores
  236. E purpúreos tapetes: logo as servas
  237. Aparecem de facho, e tudo aviam;
  238. Conduz arauto os hóspedes; lá dormem
  239. O herói Telêmaco e o Nestório egrégio.
  240. Pernoita Menelau na interna alcova,
  241. E a mais gentil mulher nos braços dele.
  242. Do éter gênita, surde a roxa aurora:
  243. Desperta, veste-se o belaz Atrida;
  244. Cingindo a espada, as nítidas sandálias
  245. Calça, e ao pé do Ulisseida vem sentar-se:
  246. “Que precisão, Telêmaco, rasgado
  247. O equóreo dorso, te conduz a Esparta?
  248. É pública ou privada? eia, franqueza.”
  249. Prudente o moço: “A ti, senhor, pujante,
  250. Vim para de meu pai colher notícias.
  251. Enchem-me a casa, arruínam-me a fazenda,
  252. Matam-me negros bois, e ovelhas pingues
  253. Os procos de Penélope, vorazes,
  254. Arrogantes, violentos e importunos.
  255. Conta-me, eu te suplico, a morte sua,
  256. Se a viste ou referiu-te um forasteiro.
  257. Foi no ventre materno à dor votado!
  258. A minha tu não poupes, nada ocultes;
  259. E, o caro genitor se em tudo e sempre
  260. Te era fiel na desastrosa guerra,
  261. Isso lembre-te agora e não me iludas.”
  262. O Espartano suspira: “Oh Céus! cobardes
  263. Ao tálamo aspirar de herói tamanho!
  264. Se, em covil de leão depondo acaso
  265. Os filhinhos de mama, o vale e monte
  266. Lustra a corça a pastar, entrando a fera
  267. Os esgana cruel: destarte Ulisses
  268. Lhes dará morte certa. Ele se ostente,
  269. Ó Jove, Palas, Febo, como em Lestos
  270. Quando com Filomelides em luta,
  271. O prostrou com prazer dos bravos Gregos:
  272. A boda em breve acerba lhe seria.
  273. Satisfazer-te vou no que me imploras;
  274. Dir-te-ei sem rebuço quanto arcano
  275. Aclarou-me o veraz marinho velho.”
  276. “Os deuses, que nos punem, de olvidá-los,
  277. Impaciente no Egito me retinham,
  278. Porque faltei com justas hecatombes.
  279. Lá Faro surge à flor da azul campina,
  280. De foz em fora, quanto em singradura
  281. Marcha popa a que vente aura sonora;
  282. Tem um porto seguro e boa aguarda,
  283. E ao pélago os baixéis dali descendem.
  284. Uns vinte dias, não soprando Eolo,
  285. Que pelo undoso ponto os nautas leva
  286. E a planície lhe encrespa, eu demorado,
  287. Com poucas provisões, lassa a companha,
  288. Desesperava já, quando Idotéia,
  289. Do potente Proteu marinha prole,
  290. Ocorreu compassiva a mim sozinho;
  291. Que os mais de curvo anzol, do ventre urgidos,
  292. De toda a ilha em derredor pescavam.
  293. Acometeu-me a deusa: — “Estulto ou fátuo,
  294. Ficas-te, hóspede, em mágoas te apascentas,
  295. E enquanto aqui sem termo estás detido,
  296. Langue e definha o coração dos sócios.”
  297. “Ó deusa, contestei, seja qual fores,
  298. Por meu gosto o não faço, mas suponho
  299. A celícola algum ter ofendido.
  300. Ora dize, a imortais é claro tudo,
  301. Quem assim me proibe o mar piscoso. —
  302. “Ela ingênua me foi: — Do Egito o velho,
  303. De Netuno ministro, aqui se aloja,
  304. Proteu meu pai, que as úmidas entranhas
  305. Tem sondado e conhece. Há de ensinar-te,
  306. Se obténs prendê-lo, como a rota sigas,
  307. E se o queres também, de Jove aluno,
  308. Os maus ou bons domésticos sucessos
  309. Durante errores teus no instável pego —
  310. Eu porém: — Com que insídias surpreendê-lo
  311. Poderei, sem que fuja ao pressentir-me?
  312. Não é para mortais vencer a numes. —
  313. “A guapa ninfa continua: Atende.
  314. Ao meridiano Sol, do salso abismo,
  315. Hirtas sobre a cabeça as fuscas ondas,
  316. Surde o ancião de Zéfiro aos sonidos;
  317. Numa espelunca dorme, e em torno juntos
  318. Ápodes focas de Halosidna bela,
  319. A exalarem ascosa maresia.
  320. N’alva, hei de colocarte em sítio azado,
  321. Com três que elejas da valente frota.
  322. Seus ardis eu te expendo. Cinco a cinco,
  323. Ronda e enumera as focas, e no meio
  324. Deita-se qual pastor com seu rebanho;
  325. Sopita-se depois. De jeito e força
  326. Os agarreis, bem que anele escapulir-se;
  327. E em serpe ao converte-se, em água, em fogo
  328. Tende-o mais duro e firme, até que o velho,
  329. Já volto à prima forma, a interpelar-te
  330. Comece. Inquire então que nume avesso
  331. Te fecha o mar piscoso. — Ei-la mergulha;
  332. N’alma comoto, às naus varadas corro.
  333. Depois da ceia, inteira a noite amena
  334. Pela praia arenosa adormecemos.
  335. “Já vermelha a manhã, do imenso lago
  336. À borda chego a suplicar os deuses,
  337. Mais três seguros destemidos sócios.
  338. Para enganar o pai, do fundo a ninfa
  339. De focas sai com frescas peles quatro;
  340. Camas na areia escava, à espera tem-se;
  341. Vê-nos enfim, nas camas nos concerta,
  342. A cada qual em sua pele enfronha.
  343. Tetra cilada! os focas trescalavam
  344. Nutridos na salsugem: de um cetáceo
  345. Quem pode ao pé jazer? útil a deusa,
  346. Neutralizando o cheiro, doce ambrosia
  347. Nos unta às ventas: A manhã passamos,
  348. Com paciência os quatro; acima os focas
  349. Surgindo, junto a nós se enfileiraram.
  350. “Merídio vem Proteu; conta, examina,
  351. Por nós principiando, o gado obeso,
  352. E sem dar pelo engano ali se estende.
  353. A vozearmos súbito o agarramos:
  354. Sem lhe esquecer o ardil, muda-se o velho
  355. Em jubado leão, drago, pantera,
  356. Cerdo, riacho, ou tronco de alta copa;
  357. Mas, com tenacidade urgido, o astuto
  358. Lasso vociferou: — Que deus, Atrida,
  359. A forçar-me instruiu-te? que pretendes? —
  360. Mas eu: — porque me enganas, tu que sabes
  361. Que ansioso estou sem termo aqui detido?
  362. Ora dize, a imortais é claro tudo,
  363. Quem assim me proíbe o mar piscoso? —
  364. “Devias, respondeu-me, antes do embarque
  365. Sacrificar ao Padre e à corte sua,
  366. Para alcançares próspera viagem.
  367. Amigos não verás, nem pátrio alvergue,
  368. Sem que ao Dial Egito rio volvas
  369. E às divindades hecatombes sagres:
  370. O teu desejo então será cumprido. —
  371. “Magoado por de novo irmos ao rio,
  372. Longa árdua rota em borrascoso pego,
  373. Inda insisti: “Proteu, quanto me ordenas
  374. Preencherei; mas dize-me sincero
  375. Se os Arquivos que em Tróia se apartaram
  376. De Nestor e de mim respiram todos,
  377. Se algum morte imprevista, após a guerra,
  378. Teve a bordo ou nos braços dos amigos.
  379. Ele: — Indagas, Atrida, os meus segredos?
  380. Olha que d’água os olhos não te banhem.
  381. Dos livres da matança em que te achaste,
  382. Só morreram dous chefes arnezados,
  383. E um vivo está no meio do Oceano.
  384. Ante as remeiras naus, bebendo as ondas,
  385. Ajax de Oileu da Parca foi preado:
  386. Primeiro às pedras o lançou de Giras
  387. Favorável Netuno, onde escapara
  388. Mal grado a Palas, se ímpio não bramasse
  389. Que era salvo apesar dos mesmos deuses;
  390. Eis, da blasmêmia azedo, o rei dos
  391. Pega do seu tridente e fere a penha
  392. Aos pés de Ajax, que se abismou no fundo
  393. Com porção do rochedo. Em cavo bojo
  394. Foi por Juno Agamemnon preservado;
  395. Mas, ao dobrar o Maléia, uma tormenta
  396. O arrojou pesaroso ao campo extremo,
  397. De Fiestes morada, ora de Egisto:
  398. Seguro cria-se, e mudado o vento,
  399. Recolhidos os deuses, o chão pátrio
  400. Beija alegre e o ensopa em quente choro.
  401. Um vigia o avistou, que o ano inteiro,
  402. De dous áureos talentos com promessa.
  403. Pôs de atalaia Egisto, e que era atento,
  404. Por temer que, aportando inopinado,
  405. O herói do seu valor se recordasse;
  406. Denunciá-lo foi. Súbito Egisto,
  407. Insidioso, valentões da plebe
  408. Vinte escolheu, que estavam de alcatéia,
  409. Aprestado um banquete em outra sala.
  410. O traidor, meditando, em coches parte
  411. O Atrida a convidar, que à ceia incauto,
  412. Como a rês no presepe, é trucidado;
  413. Nem sócio deste, nem de Egisto mesmo
  414. Poupam na régia os brutos matadores. —
  415. “Cai na areia em pranto, e compungido
  416. Viver nem ver queria ao Sol a face.
  417. De prantear cansei-me e rebolcar-me,
  418. E então Proteu: — O luto é sem remédio,
  419. Basta; a Micenas corre; ou vivo ou morto
  420. Ou de Orestes punido, ao menos chegues
  421. Para os seus funerais. — Isto me acalma
  422. O generoso peito, e veloz falo:
  423. — Pois bem, doa-me embora, esse outro ou preso
  424. Ou morto no Oceano me declares. —
  425. “Prossegue o vate: — É o Ítaco Laércio.
  426. Na ilha o vi desfeito em grossas lágrimas.
  427. Por Calipso retido, e sem navio
  428. Para vogar no páramo salgado.
  429. Genro de Jove, tu de Helena esposo,
  430. Morrer em campo Argólico não deves,
  431. Mas, junto ao flavo Radamanto, o Elísio
  432. Deleitoso habitar, confins da terra;
  433. Onde os humanos docemente vivem,
  434. De temporais, de neves, de invernadas
  435. Sempre isentos, e de auras do Oceano
  436. Fresco bafejo e respirar suave. —
  437. Então sumiu-se no espumoso ponto.
  438. “Com meus divinos sócios, no embarcarmos,
  439. Ia deliberando, e espessa a noite,
  440. Finda a ceia, no seco repousamos.
  441. No matutino albor, em nado os lenhos
  442. De amuradas iguais, mastros eretos
  443. E tendidas as velas, de seus bancos
  444. Batem remeiros o espumoso pego.
  445. De novo ao rio Egito navegamos,
  446. E apaziguado o Céu com sacrifícios,
  447. Do irmão levanto em honra um cenotáfio.
  448. Prosperamente os ventos assoprando,
  449. Mandam-me os deuses à querida pátria.
  450. Agora, fica tu comigo uns dias,
  451. Dez ou doze; haverás válido coche,
  452. Três corcéis, linda copa, que, em sagradas
  453. Libações, deste amigo te recorde.”
  454. “Não me detenhas replicou Telêmaco.
  455. Um ano, deslembrado o lar paterno.
  456. Dessa boca eloqüente aqui pendera;
  457. Mas, já com tédio, na divina Pilos
  458. Meus sócios, Menelau, por mim suspiram.
  459. Dás-me um tesouro; eu deixo-te os cavalos
  460. Nas mimosas campinas em que imperas,
  461. Onde à larga germinam loto, junça,
  462. Trigo, cevada e espelta; lá nem tenho
  463. Vastos circos nem prados: só de cabras,
  464. Não de poldros nutriz, me é cara a terra;
  465. Pois, Ítaca mormente, em roda as ilhas
  466. Do nosso mar em pastos não verdejam.”
  467. Ri-se o pugnaz Atrida, e a mão lhe cerra:
  468. “És de bom sangue, acertas. Posso, filho,
  469. Pela mais bela a dádiva trocar-te
  470. Por argêntea cratera de áureas bordas,
  471. Lavor exímio de Vulcano mesmo:
  472. Foi do rei dos Sidônios glorioso
  473. Prenda, ao nos despedirmos; de hoje é tua.”
  474. E entanto em sala interna resplendente
  475. Concorrem: quem ovelhas, quem trazia
  476. O vigoroso vinho; o pão, de fitas
  477. Ornadas moças. Lauta a ceia aprestam.
  478. Mas de Ulisses na régia, ao disco e dardo
  479. Os procos num calçado se exerciam
  480. Pátio, que da protérvia era o teatro;
  481. E, ao pé de Antino e Euríniaco deiformes,
  482. Indagou Noémon, de Frônio garfo:
  483. “Sabe-se, Antino, da arenosa Pilos
  484. Se Telêmaco é vindo? Em meu navio
  485. Foi-se, e a Élide vasta ir necessito;
  486. Éguas doze lá tenho e mus bravios,
  487. E alguns desejo acostumar ao jugo”.
  488. Atônitos calaram, que o supunham
  489. Em Pilos não, mas a velar nos prédios,
  490. No pastor e na grei. De golpe Antino:
  491. “Quando, como partiu? seletos jovens
  492. De Ítaca tem consigo, ou tão somente
  493. Mercenários e escravos? Que ardileza!
  494. Fala a verdade; a nau, por força a deste,
  495. Ou cedendo a seus rogos voluntário?”
  496. Súbito Noémon: “Fi-lo espontâneo.
  497. A preces de homem tal quem não cedera,
  498. E em tanta angústia? A gente mais luzida
  499. E a Mentor vi no embarque, ou certo um nume,
  500. Que em tudo o parecia. Mas, oh! pasmo,
  501. O divino Mentor bem que embarcasse,
  502. Na manhã de ontem me encontrei com ele.”
  503. Disse, e à casa paterna recolheu-se.
  504. Os audazes, comotos e aterrados,
  505. Se abstêm dos jogos. O Eupiteio ruge,
  506. De rábido furor, olhos em brasa:
  507. “Oh! que atrevida empresa! de acabá-la
  508. Julgado era incapaz: mocinho, às ondas,
  509. A despeito de nós, deitou navio,
  510. E com gente escolhida foi-se impune.
  511. Este começo nos agoura danos,
  512. Se o não tolhe o Satúrnio. Já, ligeiro
  513. Baixel de vinte remos; que, à passagem
  514. De Ítaca e Samos numa espera, conto
  515. Que a viagem por seu pai lhe seja amarga.”
  516. Aprovam todos e ao palácio montam.
  517. Médon, que ouviu de fora o atroz conluio,
  518. Pelo pátio açodou-se a anunciá-lo,
  519. E Penélope indaga: “Eles te enviam,
  520. Para que as servas do divino Ulisses
  521. Terminem seu trabalho e a mesa ponham?
  522. Basta de importunar-me e a quaisquer outros.
  523. Esta lhes fosse a derradeira ceia!
  524. Ó vós que ao meu Telêmaco amiúde
  525. A substância esbanjais, nunca em meninos
  526. Quem seu pai era aos vossos escutastes?
  527. Brando ao povo, em palavras comedido,
  528. Justo e humano, alguns reis não semelhava
  529. Que ódio e favor dispensam caprichosos.
  530. Ah! vós lho agradeceis com torpes feitos.”
  531. E o sensato Médon: “Fosse, ó rainha,
  532. Esse o mal todo! os bárbaros meditam,
  533. Jove o remova, assassinar teu filho
  534. Ao regresso de Pilos e de Esparta,
  535. Aonde foi colher de Ulisses novas.”
  536. Do abalo sufocada, esmorecida,
  537. Joelhos frouxos, lágrimas nos olhos,
  538. Estúpida soluça e balbucia:
  539. “Que! nada urgindo, cavalgou meu filho
  540. Num dos corcéis do mar que a salsa imensa
  541. Via atravessam! Nem pretende ao menos
  542. Renome entre os humanos!” — “Eu ignoro,
  543. Torna Médon, se um deus, se impulso próprio
  544. Fê-lo ir do pai no alcance, ou vivo ou morto.”
  545. Nisto, o arauto a seu posto recolheu-se.
  546. Bem que a sala em cadeiras abundasse,
  547. Atormentada ao limiar sentou-se
  548. Da câmara custosa, a lastimar-se;
  549. Em ais cercam-nas as servas quantas eram,
  550. Velhas e moças, a quem diz chorando:
  551. “O Céu me aflige, ó caras, mais que a todas
  552. Que nasceram comigo e se criaram:
  553. Meu marido perdi, leão no esforço
  554. De virtudes complexo, espelho aos Dânaos,
  555. De Hélade e Argos espanto; ora o só filho
  556. Preia inglório será das tempestades.
  557. Cruéis, vós que o sabíeis, à partida
  558. Acordar-me do leito não viestes:
  559. Se eu da sua intenção fosse inteirada,
  560. Ele ou não ia ou morta me deixara.
  561. Uma aqui chame a Dólio, o velho escravo.
  562. Paterno dom, cultor dos meus pomares;
  563. Corra, informe a Laertes, e este ao povo
  564. Deplore a trama que extinguir a estirpe
  565. Dele e de Ulisses divinal promove.”
  566. A ama Euricléia então: “Querida ninfa,
  567. Mates-me a duro bronze, ou bem me poupes,
  568. Não te oculto, ciente o pão e o vinho
  569. Eu mesma forneci; jurei sagrado
  570. Por doze dias, salvo ou pressentires
  571. Ou vê-lo desejares: tinha medo
  572. Que te ofendesse o pranto as faces belas.
  573. Tu purifica-te e alvas roupas cinge,
  574. No alto com tuas fâmulas implora
  575. A Tritônia que o filho te conserve;
  576. Não contristes o velho. Eu não presumo
  577. Que o Céu deteste a geração de Arcésio:
  578. Sequer nos restará quem nesta régia
  579. Mande em longínquos ubertosos campos.”
  580. Com isto aliviada, enxuga os olhos;
  581. Sobe, e se purifica e se reveste,
  582. Ora com suas fâmulas, esparso
  583. De açafates o farro: “Ouve-me, ó gérmen
  584. Do aluno e Amaltéia; se o prudente
  585. Ulisses te queimou de ovelha ou touro
  586. Gordas pernas, conserva-lhe o só ramo,
  587. Daqui me afasta os arrogantes procos.”
  588. Geme e ulula; aceitou-lhe os votos Palas.
  589. Pelos escuros átrios em tumulto,
  590. Sem suspeita, os protervos se diziam:
  591. “Certo, ignara do risco de seu filho,
  592. Cobiçada a rainha apresta as bodas.”
  593. Mas Antino os atalha: “Endiabrados,
  594. Calai-vos, pode alguém denunciar-nos;
  595. Tácitos nosso plano executemos.”
  596. Vinte escolhendo, lesto à praia os guia;
  597. Eis, o baixel em nado, o mastro erigem,
  598. Remos aos bordos em correias atam,
  599. Armas carregam valorosos pajens,
  600. E dos envergues fora as brancas velas,
  601. Comem de largo, esperam que anoiteça.
  602. Penélope, em jejum, no andar cimeiro,
  603. Só no inocente cuida, se ele escape,
  604. Ou se aos golpes sucumba dos traidores:
  605. Como temendo, em círculo doloso
  606. De montanheses, o leão cogita,
  607. Ela pensa e repensa, e recostada
  608. Lhe amolenta as junturas meigo sono.
  609. Palas, que isto aguardava, uma aparência
  610. Da Icária Iftima, em Feres com Eumelo
  611. Casada, aos paços de Laércio expede,
  612. Porque o pranto a Penélope refreie;
  613. Na câmara a visão, por entre o loro
  614. Da fechadura entrando, à cabeceira:
  615. “Adormeces, Penélope, lhe brada,
  616. Aflita e mesta? Os numes não permitem
  617. Essa tristeza; reverás teu filho,
  618. Que nunca os ofendeu nem levemente.”
  619. Às portas já Penélope dos sonhos
  620. Adormentada, fala: “A que vieste,
  621. Irmã, que, ao longe moradora, nunca
  622. Me visitavas? queres que eu deponha
  623. As dores e aflições que n’alma sinto?
  624. Perdi meu bom marido, exemplo aos Dânaos,
  625. Honra da Grécia: agora o só renovo,
  626. Inexperto em negócios e em trabalhos,
  627. Meteu-se em cava nau. Mais choro a este;
  628. Que se afunde, ou padeça em clima alheio,
  629. Temo e tremo: inimigos o insidiam,
  630. E antes que volte aqui matá-lo anseiam.”
  631. “Ânimo, ajunta, o fusco simulacro;
  632. Não te assustes que o segue uma de todos
  633. Aparecida: a consolar-te as penas
  634. A potente Minerva a ti mandou-me.”
  635. “Se és deusa, diz Penélope, ou da deusa
  636. Ouviste a voz, do outro infeliz me informes:
  637. À luz do Sol acaso inda respira,
  638. Ou jaz defunto na Plutônia estância?”
  639. A sombra contestou: “Se é morto ou vivo
  640. Omito, é vão discurso.” E como vento
  641. Por entre a fechadura esvaeceu-se.
  642. Desperta a Icária, exulta ao ver o sonho
  643. Da noite na calada sobrevir-lhe.
  644. A úmida via os pérfidos sulcavam,
  645. De Telêmaco o exício ruminando.
  646. Fica entre Samos e Ítaca fragosas
  647. Ásteris, ilha exígua, de pastagens,
  648. De abras, de uma e outra banda, ao crime azadas,
  649. Para a traição, de espreita, ali se escondem.

Nota a nota · 7 notas

v. 9–21Ao forte Megapentes, que uma escrava ⋯ “Dous hóspedes, quiçá de Jove garfos,
Diz Homero que uma serva, na ausência de Menelau, a este pariu um filho. Pretende M. Giguet que Megapentes nascera na velhice do pai; o que era impossível. Partido vinte anos antes e de fresco recolhido, ou Megapentes era gerado antes da expedição ou depois da vinda de Menelau: no primeiro caso, este era moço; no segundo caso, era Megapentes uma criança e não tinha idade para casar. Télugetos, segundo Hederico e os seus continuadores, significa: 1.°) e é o sentido próprio, nascido ao longe na ausência do pai; 2°) nascido na velhice; 3°) de mui tenra idade; 4.°) querido de seus pais. Pelo acima exposto, é evidente que o adotável é o primeiro. — Se, no verso 21, em vez de quiçá usasse eu de talvez, desagradável seria e duro: muito mau serviço fizeram os que afastaram da língua uma infinidade de palavras sonoras e expressivas.
↩ voltar à passagem, v. 9
v. 32Meiam cevada e espelta a manjedoura;
Espelta, de que já me servi em outras obras, spelta ou zea em latim, é uma espécie de trigo, e tem o mesmo nome em italiano, em castelhano e em português, posto que não venha em dicionário nosso: em francês, épeautre.
↩ voltar ao verso 32
v. 176De nepentes porção, que aplaque as iras
Nepentes, adjetivo que significa sem dor ou que dissipa a dor, é tomado substantivamente por certa erva ou remédio que produzia o mesmo efeito.
↩ voltar ao verso 176
v. 219–221Em três giros, palpaste a cava insídia,
Cava insidia, significando o bojo do cavalo, é uma arrojada expressão, que eu não quis apoucar. — Acho razão em Rochefort quando opina que há interpolação nesta passagem, por ser indigno de Homero que Helena fosse contrafazer a voz das mulheres dos que estavam dentro do cavalo; e é tanto mais ridículo quanto é certo que essas mulheres não estavam em Tróia, nem os maridos podiam acreditar que elas, de um dia para outro, chegassem todas para os excitar. Conservo a passagem, não querendo ser tachado de omisso; mas não creio que tal qual fosse escrita pelo poeta.
↩ voltar à passagem, v. 219
v. 299A celícola algum ter ofendido.
Algum, posto que venha posposto a celícola, não é em sentido negativo. Constâncio categoricamente afirma que homem algum significa homem nenhum; mas este erro grosseiro é um dos seus freqüentes caprichos; nem ele cita, nem se podem citar exemplos, de autor que faça fé, em justificação do seu parecer: o único de Barros, onde houve a omissão de um non, está longe de contrabalançar os inumeráveis de Camões, Ferreira, Sá de Miranda, Côrte-Real Bernardes, Leão, Mausinho, Ordenações do Reino, e outros que alega Morais.
↩ voltar ao verso 299
v. 368–448Sem que ao Dial Egito rio volvas ⋯ Prosperamente os ventos assoprando,
O rio Egito que deu nome à região, ainda não se chamava Nilo no tempo de Homero; e esta é uma das razões que provam ter sido o poeta anterior a Hesíodo, que já usa do nome Nilo. — O verso 448 é um de Camões no seu episódio de Adamastor.
↩ voltar à passagem, v. 368
v. 600–601E dos envergues fora as brancas velas,
Alguns vertem que os pretendentes amararam-se logo, soltaram as velas e esperaram pela noite: ora, eles esperavam que anoitecesse para partirem; não soltaram as velas, somente as desenvergaram e as tiveram prestes para à noite saírem imprevistamente; nem se amararam, somente se puseram de largo, o que é diferente: os navios, antes de largarem, costumam colocar-se um tanto afastados do porto.
↩ voltar à passagem, v. 600
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