A Divina ComédiaDante Alighieritrad. José Pedro Xavier PinheiroDomínio público
A Divina Comédia
Dante Alighieri · tradução de José Pedro Xavier Pinheiro, 1888
- Autor
- Dante Alighieri
- Tradutor
- José Pedro Xavier Pinheiro
- Tradução
- 1888
- Extensão
- 100 cantos · 14.233 versos
- Direitos
- Domínio público. Xavier Pinheiro morreu em 1882; a tradução é livre há mais de um século.
- Fonte
- eBooksBrasil
Quem escreveu e quem traduziu
Dante Alighieri1265–1321Florentino, banido da própria cidade sob pena de fogueira. Escreveu a Comédia em toscano, e não em latim, para ser lido por quem não estudara.1 obra no acervoJosé Pedro Xavier Pinheiro1822–1882Traduziu a Divina Comédia em tercetos, publicada postumamente em 1888.1 obra no acervo
Cantos
Inferno
- IDA nossa vida, em meio da jornada
- IIFORA-se o dia; e o ar, se enevoando
- III“POR mim se vai das dores à morada
- IVDESSE profundo sono fui tirado
- VDESCI desta arte ao círculo segundo
- VIDO soçobro tornando a aflita mente
- VIIPAPE Satan, pape Satan, aleppe
- VIIIACRESCENTAR eu devo, prosseguindo
- IXDO medo a cor, que o gesto me alterara
- XENTRA Virgílio por vereda estreita
- XIÀ BORDA de alta riba assim chegamos
- XIIDA descida era o passo tão fragoso
- XIIINÃO stava ainda Nesso do outro lado
- XIVDE amor do pátrio ninho comovido
- XVPOR uma dessas margens empedradas
- XVIEM lugar stava já donde se ouvia
- XVII“EIS a fera, que a horrenda cauda enresta
- XVIIITEM o inferno, de rocha construído
- XIXÓ SIMÃO MAGO, ó míseros sequazes
- XXNOVA pena convém dizer em versos
- XXIASSIM, de ponte em ponte, discursando
- XXIIMARCHAR vi cavaleiros à peleja
- XXIIIEM silêncio, a companha má deixada
- XXIVNAQUELA parte do ano incipiente
- XXVASSIM dizia o roubador e, alçando
- XXVIFOLGA, ó Florença! A fama tens tão grande
- XXVIIA FLAMA já se erguia e estava quieta
- XXVIIIDIZER o sangue e as chagas espantosas
- XXIXMEUS olhos tanto inebriado haviam
- XXXQUANDO Juno, de Semele ciosa
- XXXIA LÍNGUA, que me havia vulnerado
- XXXIISE usasse rimas ásperas, rouquenhas
- XXXIIIDO fero cevo os lábios desprendendo
- XXXIVVEXILIA regis prodeunt inferni
Purgatório
- IDO engenho meu a barca as velas solta
- IIRESPLENDECIA o sol já no horizonte
- IIIENQUANTO aquela fuga repentina
- IVQUANDO ou pelo prazer ou por desgosto
- VOS passos do meu Guia acompanhando
- VIQUANDO o jogo da zara é terminado
- VIIDE doce afeto as mútuas mostras sendo
- VIIIERA o tempo, em que mais saudade sente
- IXJÁ clareava de Titão antigo
- XPASSADO estando o limiar da porta
- XIVÓS, que nos céus estais, ó Padre nosso
- XIIA PAR, como dois bois, que o jugo unira
- XIIIDA escada ao topo havíamos chegado
- XIV“ESTE quem é ao nosso monte vindo
- XVQUANTO caminho faz da tércia hora
- XVISOMBRA de inferno e noite carregada
- XVIILEITOR, se lá na alpina cordilheira
- XVIIIPALAVRAS tais já proferido havia
- XIXCHEGADA essa hora, em que o calor diurno
- XXEM luta, o bem querer ao mau se alteia.
- XXIA SEDE natural, que não sacia
- XXIIO ANJO atrás já tínhamos deixado
- XXIIIFITAVA os olhos sobre a rama verde
- XXIVNÃO era o passo e o praticar mais lento
- XXVPARA subir o tempo nos urgia
- XXVIENQUANTO imos a borda costeando.
- XXVIICOMO, quando os primeiros raios vibra
- XXVIIIVAGAR já nos recessos desejando
- XXIXAS vozes, que eu lhe ouvia, ela remata
- XXXQUANDO o setentrião do céu primeiro
- XXXI“Ó TU que estás além da água sagrada”
- XXXIICOM tão sôfregos olhos saciava
- XXXIIIDEUS, venerunt gentes, alternando
Paraíso
- IÀ GLÓRIA de quem tudo, aos seus acenos
- IIVÓS, que em frágil barquinha navegando
- IIIO SOL por quem primeiro ardeu meu peito
- IVDE igual modo distantes e atraentes
- VSE no fogo do amor te resplandeço
- VI“DEPOIS que Constatino a Águia voltara
- VII“HOSANNAH Sanctus Deus Sabaoth
- VIIIO MUNDO com perigo verdadeiro
- IXDEPOIS que Carlos teu, bela Clemência
- XO PODER inefável e primeiro
- XIÓ DOS mortais aspirações erradas!
- XIIQUANDO o lume bendito proferira
- XIIIO QUE hei visto e refiro quem deseja
- XIVDO centro à borda e assim da borda ao centro
- XVBENÉVOLO querer, que significa
- XVIÓ MESQUINHA nobreza de alto sangue!
- XVIIQUAL a Climene explicações rogava
- XVIIIJÁ gozava em silêncio do seu verbo
- XIXDE asas pandas formosa se ostentava
- XXQUANDO esse astro, que a todos alumia
- XXIDE Beatriz no gesto o entendimento
- XXIIVOLTEI-ME a Beatriz, de espanto entrado
- XXIIIQUANDO tudo em seus véus a noite esconde
- XXIV“Ó SODALÍCIO, à ceia convidado
- XXVSE este sacro poema houver podido
- XXVIFOSSE já morta a vista eu receava
- XXVIIGLÓRIA ao Pai! Glória ao Filho! ao Espírito Santo!
- XXVIIIDEPOIS que acerca do existir presente
- XXIXQUANDO aos dois gentis filhos de Latona
- XXXTALVEZ milhas seis mil de nós distando
- XXXIFORMA assumindo de uma branca rosa
- XXXIIDE contemplar no seu prazer sorvido
- XXXIII“VIRGEM Mãe, por teu Filho procriada